Os resultados das legislativas de ontem são naturalmente o prato forte do dia, ofuscando as celebrações do 5 de Outubro. Cavaco Silva já havia avisado que não ia comparecer às cerimónias devido à necessidade de reflectir sobre os próximos passos tendentes à formação do novo governo, o que também contribuiu para um evento esvaziado.
A vitória da coligação, sem maioria absoluta, deixa em aberto o que poderá acontecer, nomeadamente em termos de aprovação de Orçamento do Estado, que precisará do apoio (pelo menos tácito) de mais um partido, ou seja, do PS. António Costa não foi ontem claro sobre o que pretende fazer. Para arrumar ideias, nada como visitar a infografia do Económico com os resultados por região.
Enquanto Cavaco reflecte, no PS discute-se o que fazer agora. Costa não se demitiu mas já há quem queira tirar-lhe o lugar depois da derrota de ontem. Álvaro Beleza, pelo menos, quer forçar uma discussão, que pode trazer outros candidatos.
O Diário Económico passou a manhã a falar com empresários para tomar o pulso à comunidade. A opinião não é surpreendente mas não perde relevância: os partidos, nomeadamente os maiores, têm de se entender, e a coligação deve mesmo governar em minoria. Lá fora, o resultado dos partidos do Governo foi recebida com alívio por parte de várias entidades conotadas com a aplicação de medidas de austeridade. A Comissão Europeia saudou os vencedores, Rajoy também ficou contente e a imprensa internacional aponta o caso nacional como um exemplo de que a austeridade pode não ser tóxica politicamente e não é garantia de derrota eleitoral.
Nos mercados, a reacção é igualmente positiva. A manutenção da força que governa o país sobrepôs-se, para já, aos receios de instabilidade, levando à descida dos juros da dívida pública portuguesa no mercado secundário. Também a bolsa acordou bem-disposta, com o PSI 20 a valorizar mais de 2%, com o volátil BCP a disparar mais de 6%, corrigindo de perdas recentes e influenciado naturalmente pelo baixo valor unitário da acção. Pela Europa fora, o sentimento positivo prende-se com a alta dos sectores de energia e matérias-primas.
No mundo das empresas, duas notícias de reestruturação com impacto negativo na vida de muitos trabalhadores. Em Portugal, o Económico avança hoje que a construtora Somague vai cortar 300 postos de trabalho. Em França, a Air-France KLM anunciou 2900 despedimentos. Coube a Xavier Broseta, director de recursos humanos do grupo, dar a notícia aos sindicatos, que reagiram com violência e com anúncio de um severo plano de greves. As imagens mostram um Broseta de roupa rasgada, tentando desesperadamente escapar à fúria dos trabalhadores.
Esta tarde continuará a ser marcada pelos desenvolvimentos da actualidade política, naturalmente acompanhados de perto pelo Económico (texto do jornalista do Económico, Tiago Freire, com a devida vénia)
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