A maioria dos mais reputados jornais do mundo chama o resultado das eleições portuguesas à primeira página. Veja aqui os principais destaques.
Financial Times
O Financial Times destaca o facto de Pedro Passos Coelho ser o primeiro primeiro-ministro que aplicou um programa de austeridade a vencer eleições legislativas. O FT assume que o resultado da coligação vai implicar um acordo com o PS para viabilizar o governo minoritário. O jornal britânico de economia sublinha que, apesar da vitória, a coligação Passos/Portas "perdeu a sua maioria absoluta no Parlamento", com os partidos de esquerda "a ganhar mais de metade dos assentos parlamentares".
El País
Na mesma linha, o El País faz manchete no site com o facto de o Governo português que aplicou um programa de austeridade ter sido validado nas urnas: "Portugal dá aval nas urnas às políticas de austeridade". O jornal destaca o facto de Passos ter classificado o resultado como "suficiente" para viabilizar um executivo estável. E lembra a inflexibilidade de Passos face ao primeiro governo de Alexis Tsipras, dizendo que Cavaco Silva tem agora um papel determinante no futuro do País. O primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy - que vai a eleições em Dezembro e também aplicou medidas difíceis - já deu os parabéns a Passos Coelho.
Reuters
A Reuters diz que a vitória com minoria aumenta a incerteza política, relembrando que nenhum governo minoritário cumpriu o seu mandato desde 1974. A agência noticiosa diz que até há alguns meses esta vitória era impensável e que chega perante sinais de que noutros países, como a Grécia, "os eleitores parecem resignados à austeridade".
Le Monde
O jornal francês escreve em título que "a coligação de direita se mantém no poder" e que o resultado minoritário fragiliza Portugal num momento em que dá sinais de que pode estar a sair da crise, após um programa de resgate. O Le Monde afirma mesmo que se Passos se quiser manter no lugar terá de se entender com o PS. O Le Monde olha ainda para a "posição voluntariamente ambígua de António Costa que lhe permite manter-se no centro da vida política", apesar da derrota.
The Guardian
O periódico britânico ilustra a noticia com uma fotografia de festa e nota o facto de a Constituição portuguesa não ser taxativa em relação ao critério que deve ser seguido pelo Presidente da República para chamar partidos a formar Governo - se pelo número de votos ou pelo número de mandatos. E defende que a eleição de ontem foi um dos vários testes à prontidão dos eleitores europeus para apoiarem politicas de austeridade com o objectivo de recuperar as finanças públicas.
The New York Times
O The New York Times é dos poucos jornais que não tem o resultados das eleições na primeira página, mas o artigo faz uma leitura comum de que venceu o partido pró austeridade e atribui à instabilidade na Grécia créditos tanto na vitória de Passos como na divisão à esquerda.
Le Figaro
O jornal francês Le Figaro destaca que, em Portugal, a direita "ganhou largamente" as eleições legislativas, um cenário que era imaginável há poucos meses. A coligação conseguiu, refere, passar a mensagem que a vitória do PS seria um regresso aos tempos de José Sócrates e às políticas que conduziram o país à bancarrota, ressalva o jornal de direita. O Le Figaro defende ainda que os resultados também reflectem o facto de o ex-primeiro-ministro estar preso.
Bloomberg
A agência de notícias sublinha o facto de em Espanha, Mariano Rajoy, e na Irlanda, Enda Kenny, estarem a respirar de alívio depois da vitória da coligação de direita em Portugal. A Bloomberg lembra que Espanha vai a votos já a 20 de Dezembro e que este resultado é "música para os ouvidos de Rajoy". Os analistas ouvidos pela agência estão sensíveis ao facto de ser agora uma minoria que se prepara para governo o País.
Suddeutsche Zeitung
O alemão Suddeutsche Zeitung destaca que "o primeiro-ministro Coelho celebra a reeleição". O jornal alemão refere que apesar de uma antecipada corrida taco a taco entre PSD e PS, a coligação conseguir descolar depois de Costa "ter sido forçado a admitir" que não havia alternativa para a continuação da austeridade, prometendo apenas "um ligeiro aumento dos benefícios sociais". O Suddeutsche Zeitung menciona também a sombra do caso Sócrates nas eleições. (Económico)
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