Wolfgang Schäuble conversa com o comissário europeu Pierre Moscovici,
vendo-se mais atrás o presidente do Eurogrupo Jeroen Dijsselbloem, durante a
reunião desta segunda-feira dos ministros das Finanças da moeda única. O
ministro alemão das Finanças e o presidente do Eurogrupo estão de acordo: a
vitória de um Governo que aplicou medidas duras mostra que a austeridade pode
ser uma política com sucesso
Wolfgang Schäuble vê nos resultados eleitorais o reconhecimento de uma
receita que ajudou a prescrever e que continua a defender. “Isto mostra que uma
política pode ter sucesso, e ser apoiada por uma maioria, mesmo que imponha
medidas duras à população”, disse esta tarde, à entrada para a reunião do
Eurogrupo, no Luxemburgo.
Para o ministro alemão das Finanças, o dia de domingo foi “um grande sucesso”
para o Governo português. E Schäuble vai ainda mais longe ao dizer que se trata
de um “encorajamento à política que tem sido seguida em Portugal, mesmo que as
relações da maioria (no Parlamento) possam agora ser um pouco complexas”.
A visão do presidente do Eurogrupo não é muito diferente. “De alguma
forma, são boas notícias que um Governo possa ganhar eleições depois de
implementar medidas duras que eram necessárias”, disse também Jeroen
Dijsselbloem.
A ausência de uma maioria absoluta na Assembleia da República por parte
da coligação Portugal à Frente deixa ao político holandês, no entanto, algumas
dúvidas. “O resultado das eleições ainda é para mim ambíguo”, disse
Dijsselbloem, afirmando que a estabilidade política é importante em todo o
lado. “Mas existe a democracia e a democracia nem sempre traz estabilidade.
Vamos ver o que acontece”, rematou.
Contudo, seja qual for o Governo que venha a ser indigitado por Cavaco
Silva, para Dijsselbloem não há grande espaço para experimentar outras estratégias
políticas.
“A situação financeira não muda de um dia para o outro por causa de
eleições. Um novo Governo tem sempre de lidar com os velhos problemas”,
respondeu quando questionado sobre um possível alívio ou espaço de manobra às
políticas de consolidação e austeridade.
“Não acho que haja razão para uma grande mudança de políticas
atualmente”, concluiu (Expresso)
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