A agência de 'rating' receia a falta de estabilidade governativa, numa altura em que o equilíbrio das contas públicas ainda não está assegurado e a economia continua altamente endividada.
"Apesar de ser previsível que a reeleição do Governo assegure a continuidade do foco na consolidação orçamental, a perda da anterior maioria absoluta vai, provavelmente, complicar a implementação de reformas estruturais adicionais". O aviso é da Moody's, após o resultado das eleições de Domingo.
Numa nota publicada junto dos investidores, a que o Económico teve acesso, a agência de 'rating' sublinha que um acordo em torno das pensões é crucial para o país, mas está longe de assegurado. "Embora o líder do PS tenha aberto a porta para apoiar o Governo caso a caso, para garantir a estabilidade política do país, não é claro que o Governo e o PS consigam chegar a acordo sobre uma reforma do sistema público de pensões", frisa.
Uma reforma com que o Executivo de Passos Coelho se comprometeu a arrancar no próximo ano e que a Moody's considera que seria "uma medida significativa e positiva, não só pelo seu impacto orçamental [que permitiria compensar a devolução de parte da sobretaxa do IRS e dos cortes temporários da altura da 'troika'], mas também como uma indicação de que as autoridades portuguesas se mantêm comprometidas com melhorias orçamentais e estruturais permanentes".
A agência de 'rating' avisa que Portugal continua com vários desafios pela frente, porque a meta do défice deste ano ainda não está garantida e a dívida do sector público e privado continua demasiado elevada, estrangulando as perspectivas de crescimento para os próximos anos, que se prevêem "modestas".
O "primeiro teste" à estabilidade governativa em Portugal "vai ser a apresentação e aprovação do Orçamento do Estado para 2016", nota a Moody's, prometendo continuar atenta aos desenvolvimentos das próximas semanas (Económico)
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