Um país a crescer pouco, onde o número de pessoas tende a encolher, mas
com demasiados desempregados. O novo Governo vai herdar uma economia mais
pequena do quem 2011, mas com mais dívida pública. Mesmo que o estímulo ao
crescimento faça parte dos planos, a próxima legislatura será sempre marcada
por uma forte pressão para baixar despesa e pagar a quem tem financiado o país.
Depois de quatro anos marcados pela intervenção do Fundo Monetário
Internacional, Comissão Europeia e Banco Central Europeu (a ‘troika' que impôs
cortes salariais e de pensões e aumentos de impostos), o novo Governo vai
querer devolver aos cidadãos o bem-estar perdido durante os anos de maior
austeridade. Mas a tarefa será hercúlea: é que o futuro Executivo não poderá
fazer tábua rasa do país que herda.
Portugal chega a 2015 com a economia a crescer apenas 1,6% e ainda mais
pequena do que fora em 2011. O mercado de trabalho já não está marcado pela
sangria de postos de trabalho - a taxa de desemprego já baixou do recorde de
17,5% registado no primeiro trimestre de 2013 e o emprego voltou a crescer -
mas a dinâmica continua fraca e os dados mensais têm revelado uma estagnação em
valores em torno de 12%.
Pressionado por uma dívida pública bem superior ao PIB anual (no segundo
trimestre era de 128,7%), e apertado por Bruxelas para sair do procedimento por
défices excessivos este ano (a meta é de 2,7%, mas no primeiro semestre o
défice foi de 4,7%), dificilmente o novo Governo poderá incluir no seu leque de
opções um maior recurso aos mercados de dívida para financiar a saída da crise.
Do lado dos impostos, os cidadãos reclamam um alívio, depois de terem
vivido quatro anos com uma sobretaxa de IRS que tinha sido prometida como
extraordinária. Os empresários garantem que estão a fazer um esforço de
internacionalização, mas frisam que precisam de pagar menos ao Fisco para
aumentarem o investimento e as contratações. Do lado das despesas, respaldados
pelas decisões do Tribunal Constitucional, os funcionários públicos exigem a reposição
da totalidade dos salários, obrigando o Governo a maior racionalidade nos
restantes gastos.
E se no curto prazo a próxima legislatura será difícil, preparar o médio
e longo prazos não será mais fácil. A Segurança Social paga mais de dois
milhões de pensões de velhice. Num país onde a taxa de natalidade é baixa e a
esperança média de vida é alta (80,2 anos), a expectativa é que o número de
idosos continue a subir, ao mesmo tempo que a população total encolhe
(Margarida Peixoto, Económico)
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