segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Legislativas-2015: Novo Governo herda um país mais pobre

Um país a crescer pouco, onde o número de pessoas tende a encolher, mas com demasiados desempregados. O novo Governo vai herdar uma economia mais pequena do quem 2011, mas com mais dívida pública. Mesmo que o estímulo ao crescimento faça parte dos planos, a próxima legislatura será sempre marcada por uma forte pressão para baixar despesa e pagar a quem tem financiado o país.
Depois de quatro anos marcados pela intervenção do Fundo Monetário Internacional, Comissão Europeia e Banco Central Europeu (a ‘troika' que impôs cortes salariais e de pensões e aumentos de impostos), o novo Governo vai querer devolver aos cidadãos o bem-estar perdido durante os anos de maior austeridade. Mas a tarefa será hercúlea: é que o futuro Executivo não poderá fazer tábua rasa do país que herda.
Portugal chega a 2015 com a economia a crescer apenas 1,6% e ainda mais pequena do que fora em 2011. O mercado de trabalho já não está marcado pela sangria de postos de trabalho - a taxa de desemprego já baixou do recorde de 17,5% registado no primeiro trimestre de 2013 e o emprego voltou a crescer - mas a dinâmica continua fraca e os dados mensais têm revelado uma estagnação em valores em torno de 12%.
Pressionado por uma dívida pública bem superior ao PIB anual (no segundo trimestre era de 128,7%), e apertado por Bruxelas para sair do procedimento por défices excessivos este ano (a meta é de 2,7%, mas no primeiro semestre o défice foi de 4,7%), dificilmente o novo Governo poderá incluir no seu leque de opções um maior recurso aos mercados de dívida para financiar a saída da crise.
Do lado dos impostos, os cidadãos reclamam um alívio, depois de terem vivido quatro anos com uma sobretaxa de IRS que tinha sido prometida como extraordinária. Os empresários garantem que estão a fazer um esforço de internacionalização, mas frisam que precisam de pagar menos ao Fisco para aumentarem o investimento e as contratações. Do lado das despesas, respaldados pelas decisões do Tribunal Constitucional, os funcionários públicos exigem a reposição da totalidade dos salários, obrigando o Governo a maior racionalidade nos restantes gastos.

E se no curto prazo a próxima legislatura será difícil, preparar o médio e longo prazos não será mais fácil. A Segurança Social paga mais de dois milhões de pensões de velhice. Num país onde a taxa de natalidade é baixa e a esperança média de vida é alta (80,2 anos), a expectativa é que o número de idosos continue a subir, ao mesmo tempo que a população total encolhe (Margarida Peixoto, Económico)

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