Últimas sondagens acertaram em quase tudo: que não haveria maioria, que
a coligação ganhava, que o PS ficava em segundo e até nos valores. Só erraram
na ordem: CDU aparecia à frente do BE, o que não se verificou ontem
Atacadas por todos os lados durante a campanha, acabaram por ser as
grandes vencedoras da noite de ontem: as sondagens. Os números da noite
eleitoral confirmam os resultados com valores muito próximos das últimas
pesquisas. As quatro publicadas na imprensa até dois dias antes do escrutínio
acertaram todas no vencedor (a coligação PSD-CDS), no segundo classificado (PS),
que não haveria maioria e que os pequenos partidos teriam dificuldades em
eleger.
O erro foi mesmo na hierarquia dos partidos à esquerda do PS: no
terceiro e quarto classificados. Nas sondagens, a CDU aparecia à frente do
Bloco de Esquerda. Mas mesmo neste caso os valores em termos percentuais
aproximam-se das sondagens.
Quando faltava apurar apenas o círculo fora da Europa, a coligação
PSD-CDS contava com 38,55% dos voto s e o PS com 32,38%. Esses são valores
muito próximos dos das últimas quatro sondagens que, em média, atribuíam 38% à
coligação e 32,5% ao PS. O Bloco de Esquerda é o único partido com razão de
queixa, mas mesmo assim com discrepâncias muito próximas e dentro da margem de
erro.
Olhando para os 38,55% da coligação, verifica-se que as últimas quatro
sondagens (entre os dias 1 e 2 de outubro) não se desviaram sequer um ponto do
resultado real: 37,7% (Eurosondagem), 38% (CESOP), 39,1% (Aximage) e 37,2 %
(Intercampus). O PS, que contava com 32,38% dos votos, também não se pode
queixar, pois as mesmas sondagens registavam entre os 32 e os 32,9% e a média
nos 32,5%.
Na CDU os desvios foram maiores, mas muito próximos. Os comunistas
obtiveram ontem 8,26% dos votos e nas intenções de voto contavam com uma média
de 9,1%, com valores que iam desde os 8,8% da Intercampus até aos 9,4% da
Eurosondagem. A CDU só se pode queixar de ter sido sempre a terceira força
(houve apenas sondagens diárias a meio da semana que chegaram a dar o Bloco de
Esquerda à frente) nestas últimas pesquisas.
O BE foi o único que estava a ser verdadeiramente subvalorizado nas
sondagens. Mas não muito. O partido liderado por Catarina Martins já tinha
ontem 10,21% dos votos, enquanto nestas últimas quatro sondagens (ver
infografia) teve uma média de 8,15% e andou entre os 6,7% que eram antecipados
pela Eurosondagem e os 9% que eram dados pela Católica e Aximage.
Estas sondagens - a dois dias das eleições - davam também uma grande
dificuldade em que os pequenos partidos elegessem mandatos à Assembleia da
República. A Eurosondagem acreditava que não seria possível. A sondagem da
Católica revelava que ou o Livre ou o PAN poderiam eleger, mas davam o PAN à
frente nas intenções de voto. Até aqui houve algo de certeiro.
Isto porque ontem, por volta da uma da manhã, foi divulgado que o PAN
elegia um representante no círculo de Lisboa.
Recuando para antes da última semana de campanha, houve sondagens que
chegaram a dar mandatos ao PDR de Marinho e Pinto e ao Livre/Tempo de Avançar
de Rui Tavares. Isso não se verificou. Mas essa era uma tendência de quebra que
as últimas sondagens já vinham a demonstrar. Eleitas como inimigas de quase
todas as forças partidárias, as sondagens acabaram por ser certeiras (texto do jornalista do DN, Rui Pedro Antunes, com a devida vénia)
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