terça-feira, 6 de outubro de 2015

A380: E se as companhias devolvessem a jóia da coroa da Airbus?

Singapore Airlines está a avaliar se devolve os aviões ao fabricante europeu depois de terminado o contrato de 10 anos de 'leasing'. É o maior - e mais luxuoso - avião da Airbus mas a jóia da coroa da fabricante europeia poderá estar a braços com o seu primeiro grande teste.
A Singapore Airlines está a ponderar se renova ou não o seu contrato de 'leasing' para os A380 numa altura em que a fabricante está a tentar impulsionar as vendas do super-jumbo. A companhia aérea foi a primeira a receber estes aviões, em 2007, e o primeiro contrato de 10 anos expira já em 2017. As companhias aéreas têm normalmente de avisar com um ano de antecedência se renovam ou não o 'leasing' em aviões de longo curso (e grande dimensão) e a Singapore está a avaliar o que vai fazer, segundo disse um executivo da banca de investimento ligado ao sector, numa conferência para financeiros da aviação. Bertrand Grabowski, membro do conselho de administração com responsabilidade pelo sector da aviação do banco alemão DVB Bank, disse que as taxas de 'leasing' dos aviões, que contam com 544 lugares, podem ficar sobre pressão em ambos os casos, já que uma renovação do 'leasing' será feita a taxas mais baixas. As taxas de 'leasing' servem como barómetro para avaliar o valor dos activos no mercado e podem influenciar o preço de aviões novos.
"O mercado dos A380 ainda não foi testado no que diz respeito a aviões em segunda mão", disse o responsável numa conferência sobre aviação, acrescentando que os custos de readaptar os decks duplos para passageiros para outra companhia aérea não são claros.
"O que sabemos é que os pedidos de A380 diminuíram e que algumas companhias aéreas querem vender os aviões que têm. Além disso, sabemos que em 2017 ou no ano seguinte alguns aviões vão voltar para o mercado e não há uma receita para fazer a correcção no que diz respeito aos preços do aluguer." Ainda não há uma posição oficial do lado da Singapore Airlines, que alugou os aviões à gestora de activos alemã Dr. Peters Group. Já a Malaysia Airlines está a tentar vender dois A380 e alguns Boeing 777 à medida que se reestrutura depois da queda de um dos seus aviões. Fontes da indústria dizem que a Airbus não tem tido dificuldade em gerir aviões em segunda mão, sobretudo no que diz respeito aos A380, deixando os compradores ter uma saída potencial para este investimento. A questão é saber exactamente quanto vale um A380 usado, uma vez que ainda não chegou nenhum ao mercado. A capacidade da Airbus vender aviões estará sob escrutínio este trimestre, defendeu Grabowski (texto do Economico da autoria da jornalista Cátia Simões)


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