No ano passado, 46,3% das empresas do sector não financeiro a operar em
Portugal - cerca de 1,1 milhão de entidades - apresentaram prejuízos ou
resultados líquidos nulos. Em todo o caso, a situação está um pouco melhor face
a 2013, ano em que 47,7% do universo empresarial teve resultados negativos ou
nulos. Problema: o endividamento excessivo e o incumprimento bancário continuam
a ser uma dor de cabeça. Os números do INE procedem da maior e mais completa base de dados sobre
empresas em Portugal. Em 2014, o número de empresas aumentou ligeiramente
(0,4%), depois da destruição dos anos do ajustamento. Há mais 4,4 mil do que em
2013. O país tem assim 1,1 milhões pequenas e médias empresas (PME) e quase mil
de grandes. O acréscimo no número de empresas traduziu-se em mais postos de
trabalho, naturalmente. Mais 1,7% (ou 57,3 mil empregos), para um total de 3,4
milhões de pessoas. Segundo o INE, uma empresa é grande quanto tem 250 ou mais empregados ou
negócios superiores a 50 milhões de euros e ativo líquido superior a 43
milhões.
O volume de negócios total subiu 1,8% para 308 mil milhões de euros
(0,4% nas grandes empresas e 2,7% nas PME), ao passo que os lucros avançaram
uns expressivos 19%, para 4,9 mil milhões de euros.
Esta última dimensão espelha realidades muito distintas. As empresas
grandes tiveram uma quebra monumental (41%) nos resultados líquidos; as PME
renasceram das cinzas e tiveram resultados sete vezes superiores face a 2013.
O INE alerta que os valores de atividade "no setor da informação e
comunicação estão fortemente influenciados pelo processo de fusão entre duas
operadoras de comunicações, que implicou uma reavaliação em baixa dos
ativos". Foi a fusão Optimus/Zon, que deu origem à Nos.
Lucros: melhores e piores
O sector com maior proporção de empresas lucrativas é o de transportes e
armazenagem, seguido da indústria a energia. Pelo contrário, os sectores menos
brindados pelo lucro são construção e imobiliário e alojamento e restauração.
"53,7% do total das sociedades não financeiras apresentaram
resultados líquidos positivos [o simétrico dos tais 46,3% de empresas não
lucrativas], mais 1,4 p.p. face ao ano anterior. Esta média foi ultrapassada em
cinco dos oito setores de atividade, destacando-se os setores da indústria e
energia e transportes e armazenagem, em que mais de 60% das empresas
apresentaram resultados líquidos positivos", refere o INE. "O setor
dos transportes e armazenagem foi o que registou o maior acréscimo na proporção
de empresas com resultados positivos, mais 2,7 p.p. que em 2013."
Abaixo da média ficou "o setor do alojamento e restauração que
registou uma percentagem de empresas com resultados líquidos positivos de
apenas 30% em 2014". Uma palavra para os exportadores. "Foi em 2013 que se verificou uma
inversão da tendência decrescente do VAB das empresas não financeiras. Apesar
disto, o contributo das sociedades com perfil exportador para o VAB do total
das sociedades aumentou de 25,4% em 2010 para 32,8% em 2014."
Malparado e corte no crédito
A situação está genericamente mais desanuviada em termos de atividade
(resultados, produção, emprego, lucros), mas as condições de base para o
relançamento de novos projetos ou ampliação dos existentes pode estar ainda
muito comprometida. Segundo o banco central, o crédito concedido às empresas
não financeiras continuou em contração (-2,3% em agosto), afetando tanto PME
como grandes empresas. Pelo contrário, as exportadoras tiveram um reforço de
2,3%.
Piores são os números do malparado. O rácio de incumprimento piorou em
toda a linha: em agosto, subiu para 18,9% do crédito total às PME e para 6,5%
nas grandes empresas. E nem as exportadoras escapam: 5,5% contra 2,8% há um
ano (Dinheiro Vivo)
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