Pensavam que o
furto era inocente, mas agora estão a regressar a Pompeia, em Itália, para
devolver os bocados de ruínas que roubaram. A responsável será a culpa, puseram
a mão na consciência? Aparentemente, nada disso. Os turistas dizem apenas que
estão amaldiçoados, conta o The Telegraph. A história chega
da América latina: um homem afirma que ele e a sua família têm passado por
“trauma atrás de trauma” depois de levarem uma pedra das ruínas de Pompeia, a
cidade junto a Nápoles que ficou sob as cinzas e a lava do Vesúvio. Massimo
Osanna, arqueólogo, diz que depois disso recebeu centenas de encomendas
enviadas de todas as partes do mundo com pequenas peças arqueológicas. Os
pacotes vêm acompanhados por cartas que explicam que as relíquias roubadas lhes
deram má sorte. Do Canadá, por exemplo, chegou um “azulejo” em terracota
enviado por uma mulher que o tinha roubado quando passou lá a lua-de-mel, nos
anos 70. Na carta, mostrava arrependimento por “um erro que cometeu na
juventude”. E clamava por perdão. Nas caixas, Ohanna
encontrou ainda pedaços de ânforas, de frescos e pequenas estátuas. Uma dessas
estátuas de bronze, que estava desaparecida desde 1987, também retornou a
Pompeia. Remetida de Espanha, acompanhada de uma carta que dizia que a peça
tinha “amaldiçoado a toda a sua família”. A lenda da
“maldição de Pompeia” diz que a erupção do Monte Vesúvio, no golfo de Nápoles,
foi uma consequência da destruição dos templos pelos legionários. Um castigo
dos deuses: “As pessoas começaram a acreditar nesta história. Até “ladrões de
verdade” têm devolvido as peças”, diz Osanna.
Mas a maldição de
Pompeia não é a única razão. Também há quem se sinta culpado pelo roubo: uma
mulher inglesa que devolveu dez peças de um mosaico que os pais tinham levado
como recordação quando estiveram lá na década de 70: “Quando a mãe morreu ela
herdou as peças e ficou desconfortável com o legado. Quis devolvê-lo por isso”,
conta o arqueólogo. Os roubos – e as
devoluções – deram uma nova ideia a Osanna. Vai fazer uma exposição com todas
as cartas devolvidas. O título? “Aquilo que eu devolvi a Pompeia”. Participar é
fácil: se tem ruínas, entregue-as (Observador)

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