Houve 75 concelhos onde a taxa de abstenção (que foi a
mais alta de sempre em legislativas) ficou acima dos 50%. Sardoal voltou a ter
a menor abstenção e em Melgaço 67% da população não votou. BE ganhou votos em
todos os 308 concelhos do país, enquanto a CDU perdeu votos em 116 concelhos.
PS teve as maiores perdas nos concelhos pertencentes aos distritos de Braga e
Porto, coligação venceu em 12 distritos (e ainda na Madeira, mas só com o PSD -
não houve PàF no arquipélago) Pela 15ª vez desde as primeiras eleições em Portugal
em 1975, o país foi a votos para eleger um governo. E desta vez, neste domingo,
houve 5.374.363 pessoas que se deslocaram às urnas, naquela que se revelou ser
a taxa mais baixa de votação de entre todas as legislativas. Do total de eleitores inscritos, 56,93% votaram, o que
significa que neste domingo se registou a mais alta taxa de abstenção (43,07%)
de todas as legislativas, ainda que não muito acima das eleições anteriores em
2011 (41,97%). Houve menos votantes, mais abstenção, mas também houve
mais votos nulos – o maior número desde 1985 – e menos votos em branco. O
concelho de Melgaço, no distrito de Viana do Castelo, registou o mais elevado
nível de abstenção – chegando aos 67,12%. Outros concelhos como Ribeira Grande
e Vila Franca do Campo, nos Açores, rondaram uma taxa de 63%.
Houve 75 concelhos onde mais de metade das pessoas não
votaram. Pelo contrário, o concelho do Sardoal, em Santarém, voltou a ter a
mais baixa taxa de abstenção do país (29,53%), assim como Vila de Rei em
Castelo Branco (29,57%), Mação em Santarém (31,22%) e Vila Velha de Ródão em
Castelo Branco (31,84%), onde mais eleitores se deslocaram às urnas. Depois de terminada a contagem dos votos das 3.092
freguesias do país, que ficou concluída já depois da 1h da manhã de
segunda-feira, é possível olhar para o novo mapa eleitoral e perceber o que
mudou. A coligação Portugal à Frente (PàF) foi o partido mais votado em 12
distritos, sobretudo no norte e centro do país, entre eles Viana do Castelo,
Braga, Vila Real, Aveiro, Bragança, Coimbra, Leiria, Lisboa, Porto e Santarém.
Também na Madeira, onde o PàF não concorreu, ganhou o PSD. Porém, em Castelo Branco, Faro e Portalegre ganhou o
Partido Socialista, contrariando o que tinha acontecido nas últimas
legislativas, em que o partido mais votado tinha sido o PSD.
Ao olhar para o partido mais votado por concelho,
torna-se mais visível que as grandes mudanças estão no sul do país: de todos os
concelhos algarvios onde o partido social-democrata tinha vencido nas eleições
de 2011, apenas em três venceu a coligação neste domingo. Em todos os
restantes, o PS ficou à frente. Também no Alentejo houve concelhos onde o PS foi o
partido mais votado. No distrito de Portalegre, houve nove concelhos que o PSD
perdeu para o PS, assim como mais quatro no distrito de Évora. Pelo contrário, em todos os concelhos do distrito de
Bragança e de Viseu, o partido mais votado em 2011 tinha sido o PSD e nestas
eleições foi a coligação. Já a CDU perdeu Viana do Alentejo em Évora e
Aljustrel em Beja para o PS, assim como Moita, no distrito de Setúbal, e
Alpiarça, em Santarém.
AS CONQUISTAS DO BE
Uma das maiores conquistas foi o resultado histórico
do Bloco de Esquerda, que conseguiu duplicar o número de deputados na bancada
parlamentar. Olhando para os resultados a nível do concelho, conclui-se que o
BE ganhou votos em todos os 308 concelhos do país, se compararmos o número de
votos nestas eleições com os que foram obtidos em 2011. As maiores percentagens de voto no BE registaram-se no
concelho de Entroncamento, em Santarém (16,23%), e depois nos concelhos de
Portimão, Lagoa e Lagos, no Algarve, rondando os 16%. Pelo contrário, o
concelho do Corvo, nos Açores, e de Boticas, em Vila Real, foram os que
registaram as menores percentagens de voto no BE (abaixo de 3%). O que também se conclui é que os concelhos de Lisboa,
Vila Nova de Gaia e Sintra deram mais 11 mil votos cada um ao BE, em comparação
com as últimas legislativas. As grandes diferenças, em termos percentuais,
ficam nos concelhos de Vizela, em Braga (13,22% dos eleitores votaram no BE
neste domingo, em comparação com os 4,85% que tinham votado em 2011), assim
como Constância, em Santarém, Funchal, na Madeira e Fundão, em Castelo Branco,
registando as maiores diferenças em pontos percentuais de umas eleições para as
outras.
PERDAS DO PS EM BRAGA E PORTO
Já o Partido Socialista perdeu votos sobretudo nos
distritos de Braga e Porto: as maiores quebras em termos de número de votos
deram-se em 12 concelhos desses dois distritos. Entre eles está Guimarães, Vila
Nova de Famalicão, Vizela, Fafe e Barcelos, no distrito de Braga; e também
Felgueiras, Santo Tirso, Paredes, Lousada, Marco de Canaveses e Paços de
Ferreira, no distrito do Porto. Em 2011, metade da população de Vizela tinha votado no
PS (50,60%), descendo para 37,59% nestas eleições. Porém, o PS ganhou votos em
258 concelhos e perdeu em 50, destacando-se Lisboa com mais 23 mil votos nos
socialistas do que o que foi registado nas últimas legislativas. Os principais saltos, em termos percentuais, na
votação no PS estão nos Açores, tendo sido o partido mais votado em vários
concelhos. Além do Corvo, nos Açores, também no concelho de Gavião, em Portalegre,
e em Vila Velha de Ródão, em Castelo Branco, metade da população votou no
Partido Socialista.
AS DIFERENÇAS NA CDU
A CDU perdeu votos em 116 concelhos do país e ganhou
em 189, estando as maiores quedas, em termos absolutos, nos concelhos de Lisboa,
Seixal, Almada e Barreiro. Pelo contrário, Sintra, Gondomar e Vila Nova de Gaia
registam as maiores subidas no número total de votos. Em termos percentuais, a
principal descida deu-se em Borba, distrito de Évora, onde 17,29% dos eleitores
tinham votado na CDU em 2011, descendo para 13,27% nestas eleições. Também no concelho de Alpiarça, Santarém, a
percentagem passou de 34,70% em 2011 para 31,41% na votação deste domingo. Depois de apuradas todas as freguesias do país, e
faltando apenas contar os votos dos 24 consulados, a coligação do PSD/CDS foi o
partido mais votado com 38,48% dos votos (104 mandatos), o PS com 32,38% (85
mandatos), o BE com 10,22% (19), a CDU com 8,27% (17) e o PAN com 1,29% (1
mandato). Falta ainda distribuir quatro mandatos (Expresso)
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