Para além da perda da maioria absoluta pela coligação, da derrota do PS
e da ascensão do Bloco de Esquerda, o 4 de Outubro trouxe outras
peculiaridades. Confira aqui.
Nove factos que ficaram perdidos na noite eleitoral
CDS tem menos deputados que o BE
‘Pescados' no meio da coligação os nomes dos militantes eleitos pelo
CDS, chega-se à conclusão que o PSD está coligado com a quarta maior força
partidária do país, ex-aequo com os comunistas. O partido liderado por Paulo
Portas elegeu 17 deputados - tantos como a CDU, mas menos dois que o Bloco de
Esquerda. Continua a ser verdade aquilo que Portas tem dificuldade em entender:
há mais trotsquistas que democratas-cristãos em Portugal.
António Costa perdeu em Lisboa
O líder do PS, António Costa, não se limitou a perder as eleições:
perdeu também em Lisboa - cidade que liderou e que, paradoxalmente, serviu de
trampolim à sua candidatura a secretário-geral do partido. O ex-presidente da
Câmara atingiu na capital os 34,76%, contra os 37,47% obtidos pela coligação
PSD/CDS.
Melgaço campeão das abstenções
Mais de 67,1% dos eleitores de Melgaço, em Viana do Castelo, optaram por
não por os pés nas eleições. Foram os campeões do abstencionismo, mas houve
muitas outras freguesias que apresentam forte concorrência, com várias marcas
acima da fasquia dos 65%.
Sardoal campeão dos participantes
Sardoal arrisca-se a ser a aldeia mais central do país. Mas não é por
isso que passou a ser notícia: foi o concelho menos abstencionista no acto
eleitoral de domingo. Apenas 29,53% dos eleitores optou por não votar. Segundo
as estatísticas mais recentes, a aldeia é habitada por cerca de duas mil
pessoas. Juntamente com Sardoal, Vila de Rei (em Castelo Branco) foi, com uma
abstenção de 29,57%, o outro concelho que conseguiu ficar abaixo da barreira
psicológica dos 30%.
Quem é o novo deputado do PAN?
André Lourenço e Silva, de 39 anos, é formado em Engenharia Civil, com
especialização em recuperação do património arquitectónico e artístico. Vive em
Lisboa, numa casa com uma horta de 50 metros quadrados. É vegetariano
(dir-se-ia quase uma obrigação de coerência!), pratica mergulho e está no PAN
desde 2012. Afirma que o seu partido é um projecto de cidadania.
Portugal dividido entre o laranja e o rosa
Se se traçar uma linha oblíqua entre o noroeste do distrito de Setúbal e
sudeste de Castelo Branco essa linha é a fronteira entre o país laranja, para
Norte, e o país rosa, para Sul. Esta hegemonia só se perde se a observação for
mais fina e atingir o nível dos concelhos. Aí, há algumas bolsas socialistas no
país laranja, mas apenas uma social democrata no país rosa. Mas o país rosa
também tem de ‘suportar' algumas bolsas comunistas no Alentejo profundo.
Mais mulheres no Parlamento...
Na próxima legislatura, um terço do Parlamento vai ser ocupado por
mulheres: serão 76 num total de 230 lugares. O número de deputadas cresceu em
relação às eleições legislativas de 2011, são agora mais 14, do que há quatro
anos. Na coligação Portugal à Frente, dos 104 deputados eleitos, 33 são
mulheres; no PS, dos 85 deputados eleitos, 27 são mulheres, enquanto que no
Partido Comunista Português/Verdes, dos 17 deputados eleitos, sete são
mulheres. No PPD/PSD Madeira, dos três candidatos eleitos, duas são mulheres, e
no PPD/PSD Açores foi eleito um candidato e uma candidata.
... mas menos no BE
Num partido que cresceu à custa de duas mulheres, Catarina Martins e
Mariana Mortágua, os homens são quem mais ordena... De facto, e contra o que
poderiam ser expectativas básicas, o Bloco de Esquerda é quem apresenta o pior
‘score' em termos de representação parlamentar no feminino: 31,5%. PàF e PS
atingem os 31,7% e a CDU ascende aos 41%. À margem disto, o PAN elegeu 100% de
homens...
Afinal, a abstenção foi a maior de sempre
Às 19 horas, quando as urnas estavam a fechar
no Continente e na Madeira, uma televisão divulgava os resultados de uma
sondagem segundo a qual as abstenções tenderiam a ser muito poucas. Vários
membros de diversos partidos entenderam ser razoável dar uma explicação para o
facto - apresentando conhecimentos mais ou menos profundos na área da sociologia
aplicada a actos eleitorais. No final, afinal as sondagens também e enganam: a
abstenção atingiu os 43,1%, a maior desde sempre. Só em 2009 se inverteu esta
tendência, consolidada desde os anos 80 (Económico, texto do jornalista António
Freitas de Sousa, com a devida vénia)
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