Mullah Mohammed Omar, líder supremo dos talibãs afegãos, morreu de
tuberculose há mais de dois anos, revelou esta quarta-feira o diário
paquistanês "The Express Tribune", citando um antigo membro do
governo talibã, que ocupou o poder no Afeganistão entre 1996 e 2001.
"Mullah Omar morreu de tuberculose há dois anos e quatro
meses. Foi enterrado do lado afegão da fronteira", contou o antigo
ministro, sob anonimato, acrescentando: "O filho de Mullah Omar
identificou o corpo do seu pai". Cre-se que o chefe talibã vivia escondido
no Paquistão. Numa conferência de imprensa realizada esta quarta-feira, um
porta-voz do Governo de Cabul disse que as autoridades afegãs estão a
investigar estas novas informações. A morte de Mullah Omar foi noticiada várias vezes no passado.
Porém, desta vez, os rumores estão a ser considerados mais seriamente.
Espera-se que os talibãs divulguem um comunicado sobre o assunto. O mesmo ex-governante talibã partilhou com o jornal "The
Express Tribune" que o grupo convocou uma reunião para eleger um novo
chefe. Esta decisão deverá ser anunciada antes do início da segunda ronda de negociações
de paz previstas para esta sexta-feira, na cidade paquistanesa de Peshawar,
entre o Governo central do Afeganistão e representantes talibãs. Especula-se que o sucessor na liderança dos talibãs possa ser
Mullah Baradar Akhund, designado pelo próprio Mullah Omar. Outras fontes dizem
preferir o filho de Omar, Mullah Yaqub, que terminou recentemente um curso numa
escola religiosa em Karachi.
VETERANO DA LUTA CONTRA OS SOVIÉTICOS
Mullah Mohammed Omar nasceu em 1960, numa aldeia da província afegã
de Kandahar, no sul do país, lutou contra os soviéticos na década de 80 e
tornou-se líder supremo dos talibãs em 1996. A sua aliança com a Al-Qaeda de Osama Bin Laden provocou a invasão
do Afeganistão liderada pelos EUA em 2001, depois dos ataques do 11 de Setembro. Desde então, Mullah Omar tem-se mantido escondido. Os Estados
Unidos prometeram uma recompensa de 10 milhões de dólares (cerca de 9 milhões
de euros) por informações que possam conduzir à sua captura (Expresso)

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