terça-feira, 12 de maio de 2015

Opinião: Sem pressões e sem pressas

Escrevi, ainda antes das diretas no PSD da Madeira, que seja qual for o líder do meu partido e independentemente de ter opiniões diferentes ou de pensar de forma diversa sobre alguns assuntos - algo que faz parte intrínseca da liberdade individual e só enriquece os partidos democráticos - estarei sempre ao seu lado. Por isso, e por uma questão de princípio, olho com desconfiança para todas as pretensas movimentações de bastidores que alegadamente possam existir ou venha a existir, tal como olho com desdém todos aqueles que exigem mudanças de um dia para outro, falam de renovação do pequeno-almoço ao jantar e sustentam que, por discordarem das nomeações efetuadas para o executivo ou para o parlamento, a esperança construída nos últimos meses terá ruído.
Não sou obrigado nem a abdicar das minhas opiniões, nem a alinhar por mero oportunismo numa espécie de "comboio" da consensualidade construída a martelo mas que nas entranhas esconde muita hipocrisia.
Empossado há pouco tempo, menos de um mês, o novo Governo Regional tem todo o tempo do mundo para pensar, discutir, refletir e decidir. Não precisamos de decisões atabalhoadas ou apressadas. Não precisamos de iluminados na política que acham que, só porque chegaram a responsabilidades executivas, são detentores das chaves que nos abrirão as portas do paraíso. Nada disso. O novo Governo deve (pode) refletir, discutir, analisar os “dossiers” mais complexos, definir prioridades, perceber o que está em causa, identificar as alternativas que existam e decidir em conformidade, com a certeza de que decidiu bem e que fica com a consciência tranquila. Isso é importante, diria mesmo um primeiro passo muito importante para a credibilidade que precisa.
Um Governo, seja ele qual for, não pode decidir pressionado por interesses de grupos de pressão, não pode ignorar que há interesses políticos e económicos, uns mais descarados, outros mais matreiros, que quase sempre estão subjacentes a oportunistas manifestações de apoio que não passam de colagens apressadas com o intuito de receberem qualquer coisa em troca. A Madeira tem os seus problemas, os Madeirenses têm as suas dificuldades, que são imensas. Mas esses problemas e essas dificuldades são as que realmente existem, não as que esses grupos de interesses e de pressão lobista acham que existem, só porque essa identificação sectária serve os seus interesses. Nada é feito ao acaso, e que isso fique claro.
Quando chegarem os momentos das grandes decisões, quando tiverem que ser tomadas medidas concretas, algumas delas potencialmente impopulares, quando tiverem que ser feitas escolhas dolorosas que podem acender o rastilho da contestação, etc, veremos onde se posicionam esses "apoiantes" de pacotilha. Há que ter a noção que governar é isso mesmo, é aceitar o desafio, enfrentar as pressões, ponderar as decisões e fazer escolhas, as que são exigidas em qualquer momento.
Tenho a convicção – incluindo o complicado e difícil de gerir processo do futuro “Jornal da Madeira” (mas sobre isso escreverei esta semana) – que o governo regional tem as suas ideias perfeitamente consolidadas. Mas uma coisa é o que a oposição, na sua histeria habitual – nomeadamente o PS, Jacinto Serrão e agora uma JPP que precisa de dar nas vistas – sustenta, outra é quem tem responsabilidades de governação, e que precisa de ponderar devidamente cada assunto tomando as decisões mas adequadas no momento próprio. No caso do JM, o Governo Regional e Miguel Albuquerque sabem o que fazer, como fazer e quando fazer. Não precisa de patéticas “vuvuzelas” tontas a soprar aos ouvidos todos os dias, tentando pressioná-los com banalidades ou alimentando a expectativa de que colocarão o executivo a reboque das pressões, sugestões, rasteiras e demagogias barata de quem ainda anda à procura do seu espaço na cena política regional e do seu discurso político. Nada de confusões, não foram as propostas (?) da oposição minoritária que foram sufragadas pelos eleitores a 29 de Março. Nada de confusões, quem ganhou as eleições, gostem ou não disso, foi o PSD.
Somos uma Região com uma dívida calculada, segundo dizem, em 5 mil milhões de euros, estamos sujeitos a um PAEF que condiciona muita coisa, estamos sob a ameaça de um calendário de pagamentos dos encargos da dívida a partir de 2016 que todos reconhecem ser impraticável e dificilmente exequível. Somos uma região com 22.500 desempregados em relação aos quais - muito sinceramente, temos que falar verdade, sem demagogias ou discursos alindados - as soluções não abundam, salvo se forem tomadas medidas - que terão que ser sempre nacionais - que facilitem a apressem uma renovação natural dos recursos humanos que se encontrem à beira da reforma. Sem que isso aconteça não teremos renovação de recursos no mercado de trabalho, até porque a economia privada está longe de produzir os empregos que alguns achavam que ela podia gerar (LFM(JM)

Sem comentários:

Enviar um comentário