Escrevi, ainda antes das diretas no PSD da Madeira, que seja qual
for o líder do meu partido e independentemente de ter opiniões diferentes ou de
pensar de forma diversa sobre alguns assuntos - algo que faz parte intrínseca
da liberdade individual e só enriquece os partidos democráticos - estarei
sempre ao seu lado. Por isso, e por uma questão de princípio, olho com
desconfiança para todas as pretensas movimentações de bastidores que alegadamente
possam existir ou venha a existir, tal como olho com desdém todos aqueles que
exigem mudanças de um dia para outro, falam de renovação do pequeno-almoço ao
jantar e sustentam que, por discordarem das nomeações efetuadas para o
executivo ou para o parlamento, a esperança construída nos últimos meses terá ruído.
Não sou obrigado nem a abdicar das minhas opiniões, nem a alinhar
por mero oportunismo numa espécie de "comboio" da consensualidade
construída a martelo mas que nas entranhas esconde muita hipocrisia.
Empossado há pouco tempo, menos de um mês, o novo Governo Regional
tem todo o tempo do mundo para pensar, discutir, refletir e decidir. Não
precisamos de decisões atabalhoadas ou apressadas. Não precisamos de iluminados
na política que acham que, só porque chegaram a responsabilidades executivas,
são detentores das chaves que nos abrirão as portas do paraíso. Nada disso. O
novo Governo deve (pode) refletir, discutir, analisar os “dossiers” mais
complexos, definir prioridades, perceber o que está em causa, identificar as
alternativas que existam e decidir em conformidade, com a certeza de que
decidiu bem e que fica com a consciência tranquila. Isso é importante, diria
mesmo um primeiro passo muito importante para a credibilidade que precisa.
Um Governo, seja ele qual for, não pode decidir pressionado por
interesses de grupos de pressão, não pode ignorar que há interesses políticos e
económicos, uns mais descarados, outros mais matreiros, que quase sempre estão
subjacentes a oportunistas manifestações de apoio que não passam de colagens apressadas
com o intuito de receberem qualquer coisa em troca. A Madeira tem os seus
problemas, os Madeirenses têm as suas dificuldades, que são imensas. Mas esses
problemas e essas dificuldades são as que realmente existem, não as que esses
grupos de interesses e de pressão lobista acham que existem, só porque essa
identificação sectária serve os seus interesses. Nada é feito ao acaso, e que
isso fique claro.
Quando chegarem os momentos das grandes decisões, quando tiverem
que ser tomadas medidas concretas, algumas delas potencialmente impopulares,
quando tiverem que ser feitas escolhas dolorosas que podem acender o rastilho
da contestação, etc, veremos onde se posicionam esses "apoiantes" de
pacotilha. Há que ter a noção que governar é isso mesmo, é aceitar o desafio,
enfrentar as pressões, ponderar as decisões e fazer escolhas, as que são
exigidas em qualquer momento.
Tenho a convicção – incluindo o complicado e difícil de gerir
processo do futuro “Jornal da Madeira” (mas sobre isso escreverei esta semana)
– que o governo regional tem as suas ideias perfeitamente consolidadas. Mas uma
coisa é o que a oposição, na sua histeria habitual – nomeadamente o PS, Jacinto
Serrão e agora uma JPP que precisa de dar nas vistas – sustenta, outra é quem
tem responsabilidades de governação, e que precisa de ponderar devidamente cada
assunto tomando as decisões mas adequadas no momento próprio. No caso do JM, o
Governo Regional e Miguel Albuquerque sabem o que fazer, como fazer e quando
fazer. Não precisa de patéticas “vuvuzelas” tontas a soprar aos ouvidos todos
os dias, tentando pressioná-los com banalidades ou alimentando a expectativa de
que colocarão o executivo a reboque das pressões, sugestões, rasteiras e
demagogias barata de quem ainda anda à procura do seu espaço na cena política
regional e do seu discurso político. Nada de confusões, não foram as propostas
(?) da oposição minoritária que foram sufragadas pelos eleitores a 29 de Março.
Nada de confusões, quem ganhou as eleições, gostem ou não disso, foi o PSD.
Somos uma Região com uma dívida calculada, segundo dizem, em 5 mil
milhões de euros, estamos sujeitos a um PAEF que condiciona muita coisa,
estamos sob a ameaça de um calendário de pagamentos dos encargos da dívida a
partir de 2016 que todos reconhecem ser impraticável e dificilmente exequível.
Somos uma região com 22.500 desempregados em relação aos quais - muito
sinceramente, temos que falar verdade, sem demagogias ou discursos alindados -
as soluções não abundam, salvo se forem tomadas medidas - que terão que ser
sempre nacionais - que facilitem a apressem uma renovação natural dos recursos
humanos que se encontrem à beira da reforma. Sem que isso aconteça não teremos
renovação de recursos no mercado de trabalho, até porque a economia privada
está longe de produzir os empregos que alguns achavam que ela podia gerar (LFM(JM)
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