terça-feira, 12 de maio de 2015

Opinião: Notas ao acaso



Facto: “O Governo Regional da Madeira revelou ter convidado o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, a visitar a região autónoma, com o objetivo de dar a conhecer a “realidade tão específica” do território. Miguel Albuquerque convidou Juncker aproveitando o facto de a Madeira estar a presidir à Conferência dos Presidentes das Regiões Ultraperiféricas da União Europeia. O chefe do executivo madeirense aproveitou para sensibilizar o presidente da Comissão Europeia para a realidade física regional, enquanto região insular e ultraperiférica, e para os impactos negativos da crise económica, sobretudo ao nível do desemprego. No convite, Miguel Albuquerque considera “determinante” a “parceria ativa” que a Comissão Europeia tem vindo a manter com as regiões ultraperiféricas, com vista a “promover efetivamente o tão necessário desenvolvimento destas regiões, únicas no contexto da União dados os seus constrangimentos naturais”.
Comentário: Excelente iniciativa. Parece-me muito importante que a Madeira tenha com a Europa uma ligação cada vez maior. Mas para além disso precisamos de alterar a lei eleitoral para o Parlamento Europeu para que os deputados portugueses, em vez de serem eleitos numa lista única que distancia os eleitores das eleições e retira representatividade efetiva aos eleitos, deveriam ser eleitos em pequenos círculos nacionais. Preocupante o facto de ser uma minoria a participar nas eleições europeias. Em 2009 a abstenção nacional nas europeias foi de 63% (59,2% na Madeira) aumentando em 2014 para 66,2% no País (66,1% na Madeira). Quer queiram quer não, esta realidade eleitoral abstencionista é determinante para que certas visitas oficiais se concretizem ou não. Mas o Presidente do Governo fez muito bem, sobretudo antecipando-se a outras regiões europeias
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Facto: Yanis Varoufakis foi insultado à entrada de um restaurante em Atenas. O ministro das Finanças grego encontrava-se com a mulher e um amigo na zona de Exarchias, popular entre ativistas de esquerda, quando um grupo de jovens os atacou verbalmente e lhes atirou "objetos de vidro", chegando a acertar no político. A sua mulher abraçou-o então para o proteger, ficando de costas para os agressores. Mais tarde, à saída do restaurante, houve outro confronto verbal. O casal Varoufakis deslocava-se de moto, como é habitual. Nos últimos tempos, à medida que o governo do Syryza começa a fazer compromissos, as fações esquerdistas mais radicais têm vincado os seus protestos. Para se chegar aqui não ajudou a produção fotográfica que o ministro e a sua mulher deixaram que a revista francesa "Paris Match" fizesse na bela casa que partilham em Atenas, com vista para a Acrópole. Acrescem meses de negociações infrutíferas e desagradáveis em Bruxelas com o Estado grego a chegar ao limiar da corda e podendo rapidamente ficar sem dinheiro para pagar pensões e outros custos. Por isso a tolerância para certos hábitos de consumo dos altos responsáveis do país está muito diminuída.
Comentário: esta notícia tem várias questões subjacentes que não podem ser ignoradas. Em primeiro lugar a confirmação de que na política passar de bestial a besta, se preferirem, do céu ao inferno, é algo que acontece com um simples estalar de dedos. Em segundo lugar há que perceber que a ânsia de mediatismo e de exibicionismo tem que ser maduramente pensada e ponderada, sobretudo no caso das sociedades a braços com crises profundas, como acontece na Grécia e em Portugal. Em situações normais factos que eram desvalorizados pelas pessoas e que até passavam despercebidos, passam a ter um tratamento diferente, o que explica esta reação de contestação a um ministro das finanças grego que, supostamente, era uma das estrelas do novo governo grego e portador de um discurso agressivo e de contestação face aos credores e às pressões da União Europeia. Ressalvando o extremismo ideológico dos autores da contestação, a verdade é que a produção para uma revista francesa, uma espécie de novo-riquismo tonto num país marcado por uma crise social profunda bem como o impasse nas negociações externas levaram Tsipras a “afastar” Varoufakis do contacto mais direto com as autoridades europeias.
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Facto: Cinco jornalistas de uma televisão líbia foram assassinados por elementos do autoproclamado Estado Islâmico (EI). Os repórteres desapareceram em Agosto do ano passado, quando viajavam entre as cidades de Tobruk e Benghazi, mas os corpos dos jornalistas foram agora encontrados nas imediações da cidade de Bayda, no Leste da Líbia.“Cinco corpos foram encontrados hoje com as gargantas cortadas, nas florestas da Montanha Verde”, disse um comandante do exército líbio. Os jornalistas, quatro líbios e um egípcio, trabalhavam para a Barqa TV, uma estação de televisão que defende o federalismo no leste da Líbia.
Comentário: Lamentavelmente estes jornalistas morreram perante o silêncio hipócrita da comunidade internacional, contrastando com o aproveitamento político ocorrido aquando do atentado contra o jornal satírico de extrema-esquerda, “Charlie Hebdo” em Paris. Neste caso estamos a falar de caricaturistas assassinados por causa de caricaturas que ridicularizaram repetidamente os valores religiosos dos muçulmanos tal como o fizeram relativamente aos cristãos. No caso da notícia acima recordada, estamos a falar de jornalistas no exercício da sua profissão. Desconheço se organizaram manifestações de protesto ou se organismos internacionais, incluindo de jornalistas, que alinharam céleres e histéricos nas manifestações pesarosas de condenação do atentado de Paris, se dignaram alguma vez lembrar-se destes profissionais, além de muitos outros que têm sido barbaramente assinados por esses bandalhos do Exército Islâmico.
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Facto: “Filomeno Paulo, Mário Pereira, Dírio Ramos, Juan Carvalho e Duarte Dória integram o grupo de trabalho suprapartidário criado por Manuel Brito para sustentar a construção de um novo hospital na Madeira. O novo secretário da Saúde solicitou um relatório que lhe deverá ser apresentado até final do próximo mês de Junho. Com a entrada em funções do novo Executivo de Miguel Albuquerque está reaberto o dossier ‘novo hospital’. Em cima da mesa volta a estar o projeto já elaborado para a zona de Santa Rita, na saída oeste do Funchal, bem como quaisquer outras alternativas a apresentar pelo grupo de trabalho. Com esta medida, o Executivo de Albuquerque põe em marcha outro dos compromissos assumidos na corrida à governação da Madeira, precisamente o de retomar de imediato o processo relativo à construção do novo hospital da Madeira. Manuel Brito fez questão de integrar no grupo de trabalho personalidades de diferentes áreas profissionais e quadrantes políticos, valorizando o perfil técnico e as intervenções públicas na defesa de um novo hospital”
Comentário: A construção do novo hospital na Madeira foi um processo envolto em avanços e recuos e foi sempre muito mal explicado. Foi o anterior governo regional quem tomou a iniciativa de avançar com essa intenção, tendo inclusivamente divulgado um anteprojeto da obra. O processo de expropriação de terrenos necessários à obra chegou a estar em marcha mas acabou por ser suspenso, alegadamente porque as negociações com o governo do socialista José Sócrates para obtenção de apoio financeiro comunitário à sua construção não se consumou (julgo que existem documentos). Aliás penso que se não for por essa via, e através de um entendimento entre a República e a Região, dificilmente sairemos da fase em que nos encontramos relativamente à construção deste novo Hospital na Madeira, que é necessário e cuja importância nem se discute. Aliás são poucas as regiões do País, incluindo os Açores, que não têm hospitais de construção recente. A verdade é que desde a paralisação deste processo, a oposição disputou entre ai as movimentações em torno deste processo, chamando a si um tema que acabou rapidamente por se transformar numa bandeira eleitoralista com algum alcance social. Pessoalmente acho que o novo titular da Saúde tomou a decisão acertada, neutralizou a persistente pressão reivindicativa de algumas personagens locais que agora terão que mostrar o que valem e que soluções concretas sugerem. Manuel Brito (a quem tenho uma dívida pessoal de gratidão) liderou muito bem este processo, chamou a si diretamente o convite aos escolhidos e vai certamente ficar na posse de um “dossier” que dificilmente deixará de endossar a chave do problema para Rui Gonçalves e mais especialmente para negociações que Albuquerque precisa de ter rapidamente em Lisboa (antes das próximas eleições) para vincular a República a um entendimento estável e consolidado que seja imune a mudanças políticas em Lisboa” (LFM/JM)

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