Facto: “O Governo Regional da Madeira
revelou ter convidado o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, a
visitar a região autónoma, com o objetivo de dar a conhecer a “realidade tão
específica” do território. Miguel Albuquerque convidou Juncker aproveitando o
facto de a Madeira estar a presidir à Conferência dos Presidentes das Regiões
Ultraperiféricas da União Europeia. O chefe do executivo madeirense aproveitou
para sensibilizar o presidente da Comissão Europeia para a realidade física
regional, enquanto região insular e ultraperiférica, e para os impactos
negativos da crise económica, sobretudo ao nível do desemprego. No convite,
Miguel Albuquerque considera “determinante” a “parceria ativa” que a Comissão
Europeia tem vindo a manter com as regiões ultraperiféricas, com vista a
“promover efetivamente o tão necessário desenvolvimento destas regiões, únicas
no contexto da União dados os seus constrangimentos naturais”.
Comentário: Excelente iniciativa. Parece-me muito importante que
a Madeira tenha com a Europa uma ligação cada vez maior. Mas para além disso
precisamos de alterar a lei eleitoral para o Parlamento Europeu para que os
deputados portugueses, em vez de serem eleitos numa lista única que distancia
os eleitores das eleições e retira representatividade efetiva aos eleitos,
deveriam ser eleitos em pequenos círculos nacionais. Preocupante o facto de ser
uma minoria a participar nas eleições europeias. Em 2009 a abstenção nacional
nas europeias foi de 63% (59,2% na Madeira) aumentando em 2014 para 66,2% no
País (66,1% na Madeira). Quer queiram quer não, esta realidade eleitoral
abstencionista é determinante para que certas visitas oficiais se concretizem
ou não. Mas o Presidente do Governo fez muito bem, sobretudo antecipando-se a
outras regiões europeias
***
Facto: Yanis Varoufakis foi insultado
à entrada de um restaurante em Atenas. O ministro das Finanças grego
encontrava-se com a mulher e um amigo na zona de Exarchias, popular entre
ativistas de esquerda, quando um grupo de jovens os atacou verbalmente e lhes
atirou "objetos de vidro", chegando a acertar no político. A sua
mulher abraçou-o então para o proteger, ficando de costas para os agressores.
Mais tarde, à saída do restaurante, houve outro confronto verbal. O casal
Varoufakis deslocava-se de moto, como é habitual. Nos últimos tempos, à medida
que o governo do Syryza começa a fazer compromissos, as fações esquerdistas
mais radicais têm vincado os seus protestos. Para se chegar aqui não ajudou a
produção fotográfica que o ministro e a sua mulher deixaram que a revista
francesa "Paris Match" fizesse na bela casa que partilham em Atenas,
com vista para a Acrópole. Acrescem meses de negociações infrutíferas e
desagradáveis em Bruxelas com o Estado grego a chegar ao limiar da corda e
podendo rapidamente ficar sem dinheiro para pagar pensões e outros custos. Por
isso a tolerância para certos hábitos de consumo dos altos responsáveis do país
está muito diminuída.
Comentário: esta notícia tem várias questões subjacentes que
não podem ser ignoradas. Em primeiro lugar a confirmação de que na política
passar de bestial a besta, se preferirem, do céu ao inferno, é algo que
acontece com um simples estalar de dedos. Em segundo lugar há que perceber que
a ânsia de mediatismo e de exibicionismo tem que ser maduramente pensada e
ponderada, sobretudo no caso das sociedades a braços com crises profundas, como
acontece na Grécia e em Portugal. Em situações normais factos que eram
desvalorizados pelas pessoas e que até passavam despercebidos, passam a ter um
tratamento diferente, o que explica esta reação de contestação a um ministro
das finanças grego que, supostamente, era uma das estrelas do novo governo
grego e portador de um discurso agressivo e de contestação face aos credores e às
pressões da União Europeia. Ressalvando o extremismo ideológico dos autores da
contestação, a verdade é que a produção para uma revista francesa, uma espécie
de novo-riquismo tonto num país marcado por uma crise social profunda bem como
o impasse nas negociações externas levaram Tsipras a “afastar” Varoufakis do
contacto mais direto com as autoridades europeias.
***
Facto: Cinco jornalistas de uma
televisão líbia foram assassinados por elementos do autoproclamado Estado
Islâmico (EI). Os repórteres desapareceram em Agosto do ano passado, quando
viajavam entre as cidades de Tobruk e Benghazi, mas os corpos dos jornalistas
foram agora encontrados nas imediações da cidade de Bayda, no Leste da
Líbia.“Cinco corpos foram encontrados hoje com as gargantas cortadas, nas
florestas da Montanha Verde”, disse um comandante do exército líbio. Os
jornalistas, quatro líbios e um egípcio, trabalhavam para a Barqa TV, uma
estação de televisão que defende o federalismo no leste da Líbia.
Comentário: Lamentavelmente estes jornalistas morreram perante
o silêncio hipócrita da comunidade internacional, contrastando com o
aproveitamento político ocorrido aquando do atentado contra o jornal satírico
de extrema-esquerda, “Charlie Hebdo” em Paris. Neste caso estamos a falar de
caricaturistas assassinados por causa de caricaturas que ridicularizaram
repetidamente os valores religiosos dos muçulmanos tal como o fizeram
relativamente aos cristãos. No caso da notícia acima recordada, estamos a falar
de jornalistas no exercício da sua profissão. Desconheço se organizaram
manifestações de protesto ou se organismos internacionais, incluindo de
jornalistas, que alinharam céleres e histéricos nas manifestações pesarosas de
condenação do atentado de Paris, se dignaram alguma vez lembrar-se destes
profissionais, além de muitos outros que têm sido barbaramente assinados por
esses bandalhos do Exército Islâmico.
***
Facto: “Filomeno
Paulo, Mário Pereira, Dírio Ramos, Juan Carvalho e Duarte Dória integram o
grupo de trabalho suprapartidário criado por Manuel Brito para sustentar a
construção de um novo hospital na Madeira. O novo secretário da Saúde solicitou
um relatório que lhe deverá ser apresentado até final do próximo mês de Junho.
Com a entrada em funções do novo Executivo de Miguel Albuquerque está reaberto
o dossier ‘novo hospital’. Em cima da mesa volta a estar o projeto já elaborado
para a zona de Santa Rita, na saída oeste do Funchal, bem como quaisquer outras
alternativas a apresentar pelo grupo de trabalho. Com esta medida, o Executivo
de Albuquerque põe em marcha outro dos compromissos assumidos na corrida à
governação da Madeira, precisamente o de retomar de imediato o processo
relativo à construção do novo hospital da Madeira. Manuel Brito fez questão de
integrar no grupo de trabalho personalidades de diferentes áreas profissionais
e quadrantes políticos, valorizando o perfil técnico e as intervenções públicas
na defesa de um novo hospital”
Comentário:
A construção do novo hospital na
Madeira foi um processo envolto em avanços e recuos e foi sempre muito mal
explicado. Foi o anterior governo regional quem tomou a iniciativa de avançar
com essa intenção, tendo inclusivamente divulgado um anteprojeto da obra. O
processo de expropriação de terrenos necessários à obra chegou a estar em marcha
mas acabou por ser suspenso, alegadamente porque as negociações com o governo do
socialista José Sócrates para obtenção de apoio financeiro comunitário à sua
construção não se consumou (julgo que existem documentos). Aliás penso que se
não for por essa via, e através de um entendimento entre a República e a
Região, dificilmente sairemos da fase em que nos encontramos relativamente à
construção deste novo Hospital na Madeira, que é necessário e cuja importância
nem se discute. Aliás são poucas as regiões do País, incluindo os Açores, que
não têm hospitais de construção recente. A verdade é que desde a paralisação
deste processo, a oposição disputou entre ai as movimentações em torno deste
processo, chamando a si um tema que acabou rapidamente por se transformar numa
bandeira eleitoralista com algum alcance social. Pessoalmente acho que o novo
titular da Saúde tomou a decisão acertada, neutralizou a persistente pressão
reivindicativa de algumas personagens locais que agora terão que mostrar o que
valem e que soluções concretas sugerem. Manuel Brito (a quem tenho uma dívida
pessoal de gratidão) liderou muito bem este processo, chamou a si diretamente o
convite aos escolhidos e vai certamente ficar na posse de um “dossier” que
dificilmente deixará de endossar a chave do problema para Rui Gonçalves e mais
especialmente para negociações que Albuquerque precisa de ter rapidamente em
Lisboa (antes das próximas eleições) para vincular a República a um
entendimento estável e consolidado que seja imune a mudanças políticas em
Lisboa” (LFM/JM)
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