quarta-feira, 3 de junho de 2015

Economista escolhida por Varoufakis para o FMI desiste por pressão do Syriza

"A economista Elena Panaritis, nomeada para representar a Grécia no Fundo Monetário Internacional (FMI) por indicação do Ministério das Finanças, anunciou esta segunda-feira que renuncia ao cargo. A escolha de Panaritis tinha sido criticada e levado a uma revolta aberta de vários deputados do Syriza, o partido no Governo – mais de 40 subscreveram uma carta em que pediam a reversão da decisão, já que Panaritis votou, enquanto deputada do Partido Socialista (Pasok), duas vezes a favor de medidas de austeridade. Panaritis foi também membro da equipa de negociação com os credores da Grécia do Partido Socialista (Pasok) entre 2009 e 2012 – a equipa que assinou o primeiro memorando de entendimento com a troika. A responsável é próxima de Varoufakis, e muitos analistas acham que a decisão do ministro das Finanças foi longe de mais. Varoufakis foi eleito nas listas do Syriza nas últimas eleições, mas não é membro do partido de esquerda. O caso levou o ministro a usar o Twitter para afastar, mais uma vez, rumores sobre a sua demissão. Os deputados que criticaram a escolha de Panaritis argumentaram que não era possível o país ter uma representante “pró-austeridade” no FMI. Tsipras reuniu-se com Varoufakis no domingo à noite e um dos assuntos em discussão foi a escolha de Panaritis. Enquanto isso, o dia de segunda-feira foi mais parco na habitual sequência de rumores, declarações e desmentidos sobre as negociações entre a Grécia e os credores, embora uma análise do Goldman Sachs antecipasse que a Grécia precisaria de uma maneira de desbloquear o actual impasse – pondo as hipóteses de novas eleições ou mesmo um incumprimento. Ainda ecoavam, sobretudo, as declarações do primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, num artigo de opinião no diário francês Le Monde, em que se firmava nas suas posições e argumentava que a Grécia já cedeu numa série de questões como as privatizações e que não podia ceder aceitando medidas que comprometessem a sua capacidade de voltar a crescer. A falta de acordo, declarou, “deve-se à insistência de certos actores internacionais em fazer propostas absurdas e mostrarem uma indiferença total à recente escolha democrática do povo grego.”
A porta-voz de Jean-Claude Juncker reagiu dizendo que o que interessa não são artigos de opinião, são propostas de reformas. Segundo o jornalista do Channel 4 Paul Mason, que ouviu fontes do Syriza, Tsipras começou a achar que o que lhe está a ser oferecido é apenas uma extensão do empréstimo, o que levará o país a daqui a meses estar de novo na posição de ter de negociar um novo plano, sem alívio de dívida. Mais, pensará que a Grécia vai estar sempre sujeita a ser o país-exemplo, sujeito a castigos. Neste caso, terá decidido que prefere dramatizar já a escolha do que arriscar mais meses de incerteza até uma nova negociação. “A questão esta semana não é se os negociadores vão chegar a acordo sobre outro item na lista dos técnicos de Bruxelas”, diz Manson. “É se os líderes políticos da UE vão ter a vontade de ajudar Tsipras e fazer uma cedência tática final para lhe dar um acordo de estruturação de dívida a longo prazo que ele possa apresentar como uma vitória.” As atenções estão focada esta segunda-feira num encontro em Berlim entre a chanceler alemã, Angela Merkel, o Presidente francês, François Hollande, e o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker" (fonte: Publico, texto da jornalista Maria João Guimarães, com a devida vénia)

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