quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Humor de Henrique Monteiro: A classe privilegiada

fonte: Henricartoon

Humor de Henrique Monteiro: Desejos de Natal

fonte: Henricartoon

Humor de Henrique Monteiro: A visita habitual

fonte: Henricartoon

A incrível história da metrópole fantasma da Califórnia

Provavelmente nunca ouviste falar de Califórnia City. No entanto, esta cidade situada no meio do deserto de Mojave é a terceira maior em extensão do estado da Califórnia e a 34ª de todos os EUA. Situada a cerca de 120 quilómetros de Los Angeles, nasceu como uma experiência peculiar do sociólogo Nat Mendelsohn, que sonhava com a construção de uma metrópole que rivalizasse com a capital mundial do cinema. Em 1958, Mendelsohn comprou um enorme terreno no deserto (320 km2) por um valor simbólico e dividiu todo esse território em 51.000 lotes, que seriam depois vendidos. O professor universitário acreditava que as pessoas iriam aderir à ideia e que Califórnia City seria uma realidade e não uma utopia. A verdade é que os seus planos não surtiram efeito. Muitos dos lotes foram vendidos, mas não para efeitos de construção e sim especulação imobiliária.
E uma década depois apenas mil pessoas se tinham mudado para a nove metrópole. Cansados de pagar impostos por um pedaço de areia no deserto, muitos dos investidores deixaram de pagá-los e estes lotes acabaram por ficar nas mãos do estado norte-americano. Atualmente, Califórnia City tem pouco mais de 15 mil habitantes, cerca de 100 empresas, um lago e dezenas de ruas não pavimentadas que têm nome mas não têm casas. A metrópole conta ainda com uma base aérea dos EUA, com uma prisão com 2.300 camas e com uma pista de provas da Honda que custou qualquer coisa como 60 milhões de dólares (55,2 milhões de euros) (aqui)

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

CM é líder absoluto de audiências

O Correio da Manhã registou uma audiência média de 13,6 pontos entre setembro e novembro deste ano, de acordo com os dados da segunda vaga do Bareme Imprensa da Marktest. Isto significa que o jornal é lido, diariamente, por uma média de 1,166 milhões de pessoas e continua a ser a publicação prefeida dos portugueses. De resto, o Correio da Manhã é a única publicação de informação geral a ter mais de um milhão de leitores por dia. O CM tem, em média, mais 247 mil leitores do que o segundo classificado, o ‘Jornal de Notícias’, que regista uma audiência de 10,7 pontos (919 mil leitores). Uma diferença que aumentou em 38 mil leitores face à mesma vaga do ano passado. Em terceiro lugar, entre as publicações de informação geral mais lidas em Portugal, está o desportivo ‘Record’, com 8,5 pontos (731 mil leitores). Segue-se ‘A Bola’, com 7,8 pontos (668 mil leitores). O semanário ‘Expresso’ ocupa o quinto lugar, com 6,7 pontos (570 mil leitores), sendo seguido pelo jornal ‘Público’, com 5,5 pontos (471 mil leitores), o desportivo ‘O Jogo’, com 5,3 pontos (457 mil leitores), e a revista ‘Visão’, com 5,2 pontos (443 mil leitores). O ‘Diário de Notícias’ segue na nona posição, com 4 pontos (344 mil leitores). A revista ‘Sábado’ fecha a tabela dos dez títulos mais lidos com 3,7 pontos (316 mil leitores). De registar ainda os números obtidos pelo ‘Diário Económico’ (164 mil leitores), ‘Jornal de Negócios’ (163 mil leitores), semanário ‘Sol’ (149 mil leitores) e diário ‘i’ (121 mil leitores). (Correio da Manhã)

Reportagem do El País: "Cambio de era en ‘The Washington Post"

Tres cuadras en el centro de Washington separan el pasado del presente y el futuro del diario The Washington Post. Esta ha sido la primera semana de los trabajadores en la nueva redacción en un edificio de estilo art déco en la plaza Franklin. Dejan atrás la mítica redacción de la calle 15, inaugurada en 1972, en la que el periódico ganó notoriedad internacional con su cobertura del caso Watergate que acabó con la presidencia de Richard Nixon.
La vieja redacción está siendo desmantelada. Ya no hay rastro exterior: ni el logotipo, ni la pantalla con un hilo de noticias de última hora. En ese monótono edificio de ladrillos amarillos, desde su puesto de director, Ben Bradlee transformó en los años setenta al Post —fundado en 1877— de ser un diario eminentemente local a uno nacional que ponía en aprietos al poder. Hasta los noventa, en el edificio convivieron la redacción con la planta de impresión.
“A las 10 de la noche el edificio retumbaba y temblaba. Era como un gigante dormido que se despertaba cuando la imprenta empezaba a rodar. ¡Era mágico!”, rememora Tracy Grant, vicedirectora ejecutiva del diario. Grant, que lleva 22 años en el Post, habla desde su despacho en la nueva y moderna redacción. Los techos aquí son más altos. Hay más luz natural. La decoración es minimalista. Y a simple vista no hay riesgo de ver ratones, un rasgo de la antigua redacción.
La vicedirectora —encargada de gestionar el traslado de 1.400 trabajadores— explica que fue “muy agridulce” abandonar la sede de la calle 15 por las vivencias acumuladas. Pero subraya que el cambio era necesario para adaptarse mejor al reto digital que acecha a la prensa. La nueva redacción sigue dividida por secciones, pero cada una está mejor integrada por equipos de vídeo, redes sociales y seguimiento de audiencias.
“Estamos muy contentos con la nueva oficina porque es un símbolo del progreso de nuestro periódico”, dice, en su despacho, el director del Post, Martin Baron, en el cargo desde enero de 2013. Tras años aquejado por estrecheces financieras, el diario tomó un nuevo rumbo en agosto de 2013 cuando lo compró el multimillonario Jeff Bezos, fundador de Amazon. El Post ha ampliado desde entonces su plantilla. La audiencia online ha crecido un 56% en el último año y en octubre superó a The New York Times en tráfico en EE UU. La nueva redacción lanza guiños al pasado. Las reuniones de la cúpula se celebran en la sala Bradlee. En los pasillos se leen frases de la familia Graham, propietaria del Post durante buena parte de su historia. Y en varios despachos, se ve la portada de la dimisión de Nixon en 1974. Al acto de despedida de la vieja sede, acudieron Bob Woodward y Carl Bernstein, los dos jóvenes periodistas que a principios de los setenta lideraron la investigación del Watergate que destapó una trama de espionaje político.
Uno de sus supervisores era Barry Sussman, que entonces era el jefe de la sección local del diario. Sussman, que dejó el Post en 1987, recuerda cómo en esa época los periodistas oteaban frecuentemente desde sus mesas el despacho de Bradlee que estaba en un extremo de la redacción y cómo al director le gustaba pasearse con una pelota de softball en la mano.
“Esos eran los días de oro. No solo de The Washington Post sino del conjunto de la prensa estadounidense. La prensa tenía el mayor respeto que ha tenido y era probablemente el momento más divertido para trabajar”, dice Sussman por teléfono. Entonces, esgrime, la prensa era percibida como “importante y honesta” y se escribían más artículos interesantes que ahora. En una esquina perpendicular del edificio de la antigua redacción, está el Post Pub, que desde 1974 está bautizado en honor al diario. Su propietario, Robert Beaulieu, descarta cambiar de nombre y confía en que algunos trabajadores del periódico sigan acudiendo al bar. Su época de gloria fue en los setenta y ochenta cuando era un destino “frecuente” de periodistas y empleados de la imprenta (texto do jornalista do El Pais, JOAN FAUS, com a devida vénia)

Abstencionistas doaram voto a 3549 espanhóis a viver no estrangeiro

Actualmente, há 1.864.604 eleitores espanhóis emigrados mas ninguém arrisca dizer ao certo quantos conseguirão votar. Uma lei que entrou em vigor antes das últimas legislativas, em 2011, fez com que cada eleitor tenha de manifestar a sua intenção de votar a cada eleição, é o chamado “voto rogado”. O processo não é simples: para as legislativas deste domingo só 8% destes eleitores conseguiram ultrapassar os procedimentos burocráticos – resta saber a quantos destes os boletins chegaram a tempo.
Pedro e Adela, a viver em Lisboa há ano e meio, decidiram antecipar-se aos prazos e foram ao consulado inscrever-se em Outubro para poderem votar. “Disseram-me que tinha de ir um mês antes, mas fomos dois meses. Temos de pedir para votar e foi isso que fizemos. Explicaram-nos que estava tudo bem, que íamos receber uma carta das nossas juntas eleitorais dali a duas semanas”, conta ao PÚBLICO.
As cartas chegaram dentro do prazo e depois disso, o casal mandou um email ao consulado a perguntar se tinha de fazer mais alguma coisa. “Garantiram-nos que não. E que antes de 8 de Dezembro, o prazo final, iriamos receber em casa os boletins para votarmos de 16 a 18. Passado uns dias, os boletins não tinham chegado e voltei a perguntar. Aí disseram-me que afinal tinha de mandar um fax para a Junta Eleitoral de Madrid, que é a minha.”
Como os boletins continuavam sem aparecer no dia 4 de Dezembro e dia 8 é feriado em Espanha e em Portugal, Pedro voltou a contactar o consulado, e voltou a ouvir que tudo correria bem. “Disseram-me que iam chegar até segunda-feira, dia 7, mas que mesmo que não chegassem depois não haveria problema, ia sempre poder votar.” Não foi isso que aconteceu, apesar dos inúmeros contactos que o casal continuou a fazer e das repetidas garantias que tudo se resolveria.
Entretanto, “no consulado diziam que o erro era da Junta Eleitoral, na Junta diziam que o erro era do consulado”, descreve. “Na terça-feira telefonaram do consulado a admitir que o erro era deles, que me deveriam ter dito para enviar o fax logo a seguir a receber a confirmação de que estava inscrito. É muito injusto, depois de um mês e meio a reclamar.”
Pedro e Adela são apenas dois de muitos milhares de espanhóis que fizeram de tudo para poder participar nas legislativas e não conseguiram. As dificuldades são tantas que houve gente a pedir a abstencionistas para irem votar por elas. O colectivo Marea Granate criou um site onde os interessados podiam pedir ajuda e entrar em contacto com quem se disponibilizasse a ir votar por si. Quando as urnas encerraram, 3544 pessoas tinham conseguido ver “o seu voto resgatado”, enquanto 13.379 tinham ficado à espera de “doador”.
Acto de rebeldia
A BBC falou com Marian García, que doou o seu voto a uma espanhola no estrangeiro. “Há algum tempo que votar ou não era um dilema e desta vez estava decidida a ficar longe das urnas”, contou. “Mas votar por alguém que quer fazê-lo e está impedido parece-me um acto de rebeldia contra um sistema pouco democrático.” Quando a conversa aconteceu, Marian já tinha contactado com a eleitora mas ainda não sabia em quem iria votar. “Estou a rezar para não ter de votar contra a minha tendência.”
Para quem vive fora, há dois registos diferentes, o CERA (Censo de Estrangeiros Residentes Ausentes) e o ERTA (Espanhóis Residentes Temporariamente Ausentes), cada um com regras e prazos distintos. É no CERA que estão inscritos os tais 1.864.604 (um número que a crise fez crescer muito nos últimos anos; era de 1.194.350 em 2007); no ERTA, como está sempre a ser actualizado, não é conhecido o número dos que constam nas suas listas.
Apesar de haver cada mais espanhóis a viver fora, o número dos que têm votado não parou de diminuir. Nas eleições para o Parlamento Europeu de 2014 votaram 1,98% dos emigrantes que o poderiam ter feito, nas autonómicas de Maio 2,97%. E se olharmos para as legislativas, enquanto nas de 2008, antes da entrada em vigor da lei actual, foram 31,88% os que participaram, nas últimas, em 2011, só 4,95%.
A lei estipula que o censo em vigor fica fechado no primeiro dia do segundo mês anterior à convocatória das eleições. Neste caso, o censo fechou a 1 de Agosto. Depois de convocada a data, há um período extra mas apenas de uma semana. Este ano isso aconteceu de 2 a 9 de Novembro – com muita gente, principalmente na América Latina, mas não só, a viver longe dos consulados, a tarefa torna-se impossível para muitos. Nos Estados Unidos, por exemplo, há quem viva a 1500 quilómetros do consulado mais próximo.
Filas de cinco horas
Na semana extra, houve filas de três a cinco horas em Londres ou Hamburgo, escreve o El País. É obrigatório pedir pessoalmente nos consulados para entrar no CERA. A seguir, cada eleitor teve de pedir para votar até 21 de Novembro.
Para quem já constasse do CERA, a situação estava mais facilitada: estas pessoas tiveram entre 28 de Outubro e 21 de Novembro para “rogar o voto”, por telefone, fax ou correio, podendo depois enviar o voto por correio até 15 de Dezembro ou ir pessoalmente ao seu consulado entre 16 e 18 de Dezembro. Uma opção que não está prevista em todas as delegações diplomáticas espanholas.
De acordo com os membros da Marea Granate, há ainda dezenas de milhares de votos que se perdem pelo correio.
“O sistema não ajuda. Pelo contrário, põe obstáculos burocráticos que, na prática, impedem o exercício de um direito”, diz o advogado Jacinto Lara, membro da plataforma DosMillionesDeVotos, que a Marea Granate se associou e cujos juristas apresentaram uma queixa ao Provedor de Justiça.
As cartas perdidas
Pedro Núñez García, espanhol a viver em Portugal desde 1997, nunca deixou de votar porque o faz em Badajoz e prefere a estrada à burocracia.
“O problema tem vários lados. A burocracia da lei actual aumentou a dificuldade de conseguir votar de forma absolutamente alucinante, mas os próprios consulados bloqueiam a burocracia”, acusa, numa conversa por telefone.
Os atrasos na chegada dos boletins foram tantos que as urnas estiveram abertas até domingo às 20h, como em Espanha, mas para este espanhol o alargamento do prazo é “uma medida cosmética”. “Os políticos falam muito no sufrágio universal e na democracia, mas na prática ajudam a que muitos fiquem fora deste processo.”
García vê nas dificuldades acrescidas uma explicação simples: “Os novos eleitores no estrangeiro, que saíram por causa da crise, votam nos novos partidos e isso não interessa nem ao Partido Popular nem ao Partido Socialista”, diz. A comprová-lo, aponta os resultados das autonómicas de Março na Andaluzia, onde só votaram 3,8% dos andaluzes no estrangeiro mas quem ganhou foi o Podemos, com 29,9% dos votos.
Pedro, que não conseguiu votar, fala em “milhares de cartas perdidas”. “No nosso caso foi um erro, mas conheço muita gente em que não houve enganos de ninguém e os boletins nunca chegaram. É suspeito”, diz. “Em 37 anos de vida sempre que enviei uma carta a carta chegou, pode ter-se atrasado uns dias, demorado mais, mas nunca deixou de chegar.”  (texto da jornalista do Público, SOFIA LORENA, com a devida vénia)