quarta-feira, 30 de setembro de 2015
Lidiane Leite : a "Prefeita Ostentação" entregou-se à polícia
Depois de 39 dias foragida, Lidiane Leite, conhecida como "Prefeita Ostentação", entregou-se às autoridades em São Luís, capital do estado do Maranhão, um dos mais pobres do Brasil. A autarca de Bom Jardim, cidade de 50 mil habitantes, fugiu a 20 de agosto depois da polícia ter emitido um mandado de captura na sequência de desvio de verbas destinadas à Educação num valor estimado em 23 milhões de reais (cerca de seis milhões de euros).
O caso de Lidiane tornou-se conhecido a nível nacional e até internacional porque, ao mesmo tempo em que os professores da cidade acumulavam salários em atraso, as instalações das escolas se degradavam e o material escolar não chegava, Lidiane, de 25 anos, ostentava uma vida de luxo nas redes sociais e respondia diretamente aos munícipes que a criticavam. "Eu compro sim é o que eu quiser, gasto sim com o que eu quero, "tô" nem aí para o que achem, beijinho no ombro para os recalcados", escreveu no Facebook. "Antes de ser prefeita eu era pobre, né? Devia era comprar um carro mais luxuoso porque, graças a Deus, o dinheiro "tá" sobrando", continuou no Instagram.
A vida de Lidiane - que governava a cidade através de um grupo na aplicação Whatsapp onde estavam incluídos os seus vereadores a partir de São Luís, a 275 quilómetros de Bom Jardim - aparecia numa sequência de selfies diárias a correr no ginásio da moda, a fazer compras de milhares de euros em lojas de roupa ou em festas nas discotecas mais exclusivas da capital maranhense (DN de Lisboa)
Mylena Cooper, a menina que brincava com os caixões
Mylena Cooper, dona do famoso Crematório Vaticano, no Brasil, pertence à terceira geração de uma família que vive dos serviços funerários. "Em minha casa, a conversa ao jantar sempre foi a morte."
No Sul do Brasil, toda a gente conhece a Crematório Vaticano, uma empresa de serviços funerários com unidades espalhadas pelo Paraná e Santa Catarina, dois dos três estados que constituem a região. Aliás, a empresa é uma referência para o país inteiro e até para o mundo. "Temos reconhecimento global, os estrangeiros visitam-nos e copiam-nos as ideias", diz orgulhosa ao DN a dona da funerária, Mylena Cooper. O sucesso é facilmente explicável: são três gerações de expertise, ou seja, quase cem anos a cuidar dos mortos.
Cooper, um imigrante irlandês no Sul do Brasil, vivia de construir grades de madeira para guardar alimentos quando um dia lhe encomendaram um caixão (por acaso, em inglês, Cooper significa tanoeiro, ou seja, quem constrói barris, tonéis e, porque não, caixões). Habituou-se à ideia, especializou-se e criou uma funerária, a Funerária Cooper, nos anos 1920.
O filho, Edson Cooper, mudou o nome da empresa para Crematório Vaticano, acrescentando--lhe a cremação e importando conceitos como a tanaxoterapia - técnica que retarda a decomposição do corpo - a revoada - uso de pombas brancas no sepultamento - ou a chuva de rosas - soltar pétalas sobre o caixão. Tudo conceitos discutidos na Fiar-Itpa, o conselho internacional para assuntos relacionados com a morte e onde a Crematório Vaticano se faz representar por Edson e pela filha Mylena.
"Tentei fazer uma parceria com a Nasa para levar cinzas para o espaço, serviço habitual nos EUA, mas aqui não resultou, ninguém quer mandar os parentes para longe", diz Mylena, 30 anos, 14 dedicados à empresa.
Nascida no meio de caixões, a jovem empresária cresceu a brincar neles. "Nada mais natural para mim e para os meus primos, afinal, os meus avós, os meus pais, os meus tios todos estavam no ramo, às vezes não havia espaço para guardar os caixões na empresa e a gente escondia-se entre ou dentro deles, no jardim, no meio da casa...", lembra.
O pior era convencer as amigas a alinhar na brincadeira: "Ela tinham algum medo, mas quem tinha mais medo ainda eram as mães, quando as filhas lhes contavam que se escondiam dentro de caixões quando me visitavam."
Por isso, durante um breve período na adolescência, a hoje bem-sucedida empresária teve vergonha da sua atividade. "Mentia quando me perguntavam o que eu ou a minha família fazíamos." Isso passou-lhe depressa: "Afinal, todas as conversas ao jantar em minha casa eram e são sobre a morte, isto é, sobre o trabalho, nada mais natural..." E ela espera que assim continue por futuras gerações. "Não tenho filhos ainda, mas quando os tiver quero vê-los a brincar com caixões e mais tarde a tomar conta da empresa, sem verem a morte como um bicho-de-sete-cabeças ou um mito, como a maioria das pessoas." (DN-Lisboa)
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