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segunda-feira, 5 de outubro de 2015

PQP a todos: Alemanha e Eurogrupo veem nas eleições o reconhecimento das políticas de austeridade

Wolfgang Schäuble conversa com o comissário europeu Pierre Moscovici, vendo-se mais atrás o presidente do Eurogrupo Jeroen Dijsselbloem, durante a reunião desta segunda-feira dos ministros das Finanças da moeda única. O ministro alemão das Finanças e o presidente do Eurogrupo estão de acordo: a vitória de um Governo que aplicou medidas duras mostra que a austeridade pode ser uma política com sucesso
Wolfgang Schäuble vê nos resultados eleitorais o reconhecimento de uma receita que ajudou a prescrever e que continua a defender. “Isto mostra que uma política pode ter sucesso, e ser apoiada por uma maioria, mesmo que imponha medidas duras à população”, disse esta tarde, à entrada para a reunião do Eurogrupo, no Luxemburgo.
Para o ministro alemão das Finanças, o dia de domingo foi “um grande sucesso” para o Governo português. E Schäuble vai ainda mais longe ao dizer que se trata de um “encorajamento à política que tem sido seguida em Portugal, mesmo que as relações da maioria (no Parlamento) possam agora ser um pouco complexas”.
A visão do presidente do Eurogrupo não é muito diferente. “De alguma forma, são boas notícias que um Governo possa ganhar eleições depois de implementar medidas duras que eram necessárias”, disse também Jeroen Dijsselbloem.
A ausência de uma maioria absoluta na Assembleia da República por parte da coligação Portugal à Frente deixa ao político holandês, no entanto, algumas dúvidas. “O resultado das eleições ainda é para mim ambíguo”, disse Dijsselbloem, afirmando que a estabilidade política é importante em todo o lado. “Mas existe a democracia e a democracia nem sempre traz estabilidade. Vamos ver o que acontece”, rematou.
Contudo, seja qual for o Governo que venha a ser indigitado por Cavaco Silva, para Dijsselbloem não há grande espaço para experimentar outras estratégias políticas.
“A situação financeira não muda de um dia para o outro por causa de eleições. Um novo Governo tem sempre de lidar com os velhos problemas”, respondeu quando questionado sobre um possível alívio ou espaço de manobra às políticas de consolidação e austeridade.
“Não acho que haja razão para uma grande mudança de políticas atualmente”, concluiu (Expresso)


Legislativas-2015: Abstenção foi a maior de sempre em legislativas

Os cadernos tinham registados 9.375.466 eleitores e, quando faltavam apurar duas freguesias, tinham sido registados 5.333.888 votos. Ou seja, uma taxa de participação de 56,89%. O que significa uma taxa de abstenção de 43,11%. Esta taxa foi superior à registada em 2011, quando os abstencionistas somaram 41,97% do total de inscritos com direito a voto. Esta já era a taxa mais alta de sempre em eleições legislativas. As indicações dadas pela Comissão Nacional de Eleições a meio da tarde apontavam para uma descida da taxa de abstenção, o que foi confirmado às 20 horas com as sondagens à boca das urnas. No entanto, acabou por acontecer o contrário, confirmando que alguns dos indecisos que apareciam nas sondagens durante a campanha optaram mesmo por não ir votar.  

Legislativas-2015: Novo Governo herda um país mais pobre

Um país a crescer pouco, onde o número de pessoas tende a encolher, mas com demasiados desempregados. O novo Governo vai herdar uma economia mais pequena do quem 2011, mas com mais dívida pública. Mesmo que o estímulo ao crescimento faça parte dos planos, a próxima legislatura será sempre marcada por uma forte pressão para baixar despesa e pagar a quem tem financiado o país.
Depois de quatro anos marcados pela intervenção do Fundo Monetário Internacional, Comissão Europeia e Banco Central Europeu (a ‘troika' que impôs cortes salariais e de pensões e aumentos de impostos), o novo Governo vai querer devolver aos cidadãos o bem-estar perdido durante os anos de maior austeridade. Mas a tarefa será hercúlea: é que o futuro Executivo não poderá fazer tábua rasa do país que herda.
Portugal chega a 2015 com a economia a crescer apenas 1,6% e ainda mais pequena do que fora em 2011. O mercado de trabalho já não está marcado pela sangria de postos de trabalho - a taxa de desemprego já baixou do recorde de 17,5% registado no primeiro trimestre de 2013 e o emprego voltou a crescer - mas a dinâmica continua fraca e os dados mensais têm revelado uma estagnação em valores em torno de 12%.
Pressionado por uma dívida pública bem superior ao PIB anual (no segundo trimestre era de 128,7%), e apertado por Bruxelas para sair do procedimento por défices excessivos este ano (a meta é de 2,7%, mas no primeiro semestre o défice foi de 4,7%), dificilmente o novo Governo poderá incluir no seu leque de opções um maior recurso aos mercados de dívida para financiar a saída da crise.
Do lado dos impostos, os cidadãos reclamam um alívio, depois de terem vivido quatro anos com uma sobretaxa de IRS que tinha sido prometida como extraordinária. Os empresários garantem que estão a fazer um esforço de internacionalização, mas frisam que precisam de pagar menos ao Fisco para aumentarem o investimento e as contratações. Do lado das despesas, respaldados pelas decisões do Tribunal Constitucional, os funcionários públicos exigem a reposição da totalidade dos salários, obrigando o Governo a maior racionalidade nos restantes gastos.

E se no curto prazo a próxima legislatura será difícil, preparar o médio e longo prazos não será mais fácil. A Segurança Social paga mais de dois milhões de pensões de velhice. Num país onde a taxa de natalidade é baixa e a esperança média de vida é alta (80,2 anos), a expectativa é que o número de idosos continue a subir, ao mesmo tempo que a população total encolhe (Margarida Peixoto, Económico)

Pela primeira vez, mulheres ocupam um terço do Parlamento. Mas homens encabeçam listas

226 deputadas e deputados já têm assento parlamentar. Falta atribuir quatro lugares, mas há um resultado que já é certo: pela primeira vez, as mulheres representam um terço dos lugares na Assembleia da República.
Dos 226 lugares, 76 (33,6% do total) são ocupados por mulheres. Significa que a Lei da Paridade, aprovada em 2006, está, finalmente, a ser cumprida.
A lei, de 21 de agosto de 2006, determina que "as listas de candidaturas apresentadas para a Assembleia da República, para o Parlamento Europeu e para as autarquias locais são compostas de modo a promover a paridade entre homens e mulheres. Por paridade, o documento entende "a representação mínima de 33,3% de cada um dos sexos nas listas".
Mas só agora se cumpriu esta quota de 33%. Em 2011, só 61 mulheres tiveram lugar no Parlamento, o que representou 26,5% do total dos 230 deputados.
Entre os vários partidos, a coligação CDU é quem mais se aproxima da igualdade de géneros: dos 17 deputados eleitos, 7 (41%) são mulheres. Segue-se a coligação Portugal à Frente, onde as 33 mulheres eleitas representam 33% dos 99 lugares no Parlamento.
O PS tem 31,7% de mulheres (27 do total de 85 deputados) e o Bloco de Esquerda tem 31,5% (6 do total de 19 deputados).
Homens continuam a ser cabeças de lista
As mulheres conseguiram mais assentos no Parlamento, mas, no que toca a liderar as listas dos partidos, ainda estão longe de ter uma representação de um terço.
Do total de 59 cabeças de lista que acabaram por ser eleitos, só 16 são mulheres (27,1%).

Durante a campanha, a investigadora Carla Martins, citada pelo Expresso, contabilizou 326 cabeças de lista, dos quais apenas 81 eram mulheres, ou seja, menos de 25% (Dinheiro  Vivo)

Legislativas-2015: 10 Factos das eleições

A coligação de Passos e Paulo venceu as legislativas. Costa perdeu. À esquerda do PS ganharam todos como é costume, mas desta vez só o BE pode mesmo cantar. E o PAN entrou no Parlamento
1. A PàF ganhou
Depois de quatro anos de empobrecimento e austeridade violenta e de um rol imenso de promessas que ficaram por cumprir o país falou. Decidiu votar, de forma clara e inequívoca, nos partidos da coligação, não lhes renovando porém a maioria absoluta de que dispunham e retirando-lhes mais de 700 mil votos na comparação com 2011. Não reconhecer que a formação de um governo legítimo cabe agora ao PSD e ao CDS é faltar ao respeito a quase 39% dos eleitores. Vão ter que negociar? Claro que sim. Mas em democracia, mesmo sob pretensas vitórias morais, não pode haver batota. O país votou e a PàF ganhou, e isso é que conta.
2. O PS perdeu
É uma evidência que António Costa é o perdedor da noite. Pediu "confiança" aos portugueses mas os eleitores negaram-lha. Pediu uma maioria absoluta mas acabou com uma derrota inequívoca, ao nível dos resultados pífios mas ganhadores que apearam António José Seguro da liderança do PS. Perante o que aconteceu, António Costa não se demite. Por difícil que seja a sua sobrevivência política - e não haja dúvidas de que é - o PS enfrenta hoje um problema sério que se traduz numa única pergunta: quem é que pode substituir António Costa? Por mais candeias que se acendam no Largo do Rato, a verdade é que, nesta altura, não há ninguém. Ficando Costa, pelo menos por agora, é a garantia de que à esquerda a direita tem interlocutor, pelo menos até ao Orçamento.
3. O tempo de Cavaco
Os resultados das eleições de ontem reconduzem o Presidente da República a um papel central na política portuguesa. Perante uma maioria aritmética que, em tese, poderia bloquear o Parlamento e o governo de direita, cabe-lhe arbitrar a negociação que garanta a estabilidade governativa. Cavaco Silva que hoje, inexplicavelmente, há-de falhar as celebrações do 5 de Outubro, demonstrando por que razão é o Presidente com menor popularidade da democracia, tem aqui a derradeira oportunidade para terminar o seu mandato com dignidade. Poderia começar por celebrar a República já que é por causa dela que é Presidente. O resto só depende dele e do sentido de responsabilidade dos partidos parlamentares.
4. A maldição de Sócrates
Diga-se o que se disser - e não está em causa o princípio da presunção de inocência de que todos devemos beneficiar num Estado de direito - a inédita prisão de um ex-primeiro-ministro a um ano de eleições foi fortemente penalizadora para o partido a que pertence. Uma parte do país já não guardava boas recordações de José Sócrates, mas o processo judicial em que se viu envolvido e o consequente e lamentável julgamento em praça pública de que tem sido alvo acabaram por ser os ingredientes que faltavam para que as memórias de 2011 e da pré-bancarrota viessem ao de cima como uma ferida em carne viva. A campanha incompetente do PS fez o resto e António Costa acabou a pagar a fatura.
5. O Bloco que capitaliza
É uma das vencedoras da noite. Liberta do espartilho da liderança bicéfala inventada por Francisco Louçã, Catarina Martins apareceu renovada nesta campanha. Emancipou-se e afirmou-se como um trunfo de grande rentabilidade eleitoral mais do que duplicando o número de deputados. Perante a incapacidade socialista de federar o descontentamento, o Bloco de Esquerda foi quem mais beneficiou da derrocada do PS. À noite, mais rápida do que a própria sombra, Catarina quis encostar Costa às cordas e anunciou que rejeitará o governo minoritário da direita, desafiando o PS a fazer o mesmo. É uma cartada arriscada, mas só o BE e o PCP a podiam jogar. A estes costumes o PS disse nada. Ou seja, não há frentismos de esquerda que sobrevivam ao teste do algodão: há os que existem para governar e os que servem para empatar.
6. O papão
O país regrediu culturalmente nesta campanha. De certo modo o eleitorado reagiu negativamente ao papão agitado pela coligação PàF de que a uma vitória do PS corresponderia uma ameaça comunista. No fundo, e em pleno século XXI, regressámos a um tempo em que se dizia, e muitos acreditavam, que os comunistas comiam criancinhas ao pequeno-almoço e matavam os velhos com injeções atrás da orelha. A política tem esta capacidade de nos tornar irracionais ao ponto de acreditarmos em mitos e lendas. Só os mais distraídos poderiam acreditar num acordo de governo que casasse um partido europeísta com outro que quer romper com a Europa e com o euro. Deve ser, só pode, porque desistimos de ver o óbvio.
7. Compêndio para uma derrota
Quem há seis meses, talvez até mesmo há três, dissesse que o PS ia perder estas eleições era, com toda a certeza, apelidado de louco. O país estava revoltado e exaurido pelos cortes e pela austeridade. António Costa farejou isso mesmo e chegou à liderança do PS com um capital de esperança que o atiravam para lá de uma maioria absoluta nas sondagens. Decidiu prometer mundos e fundos, avançou para o radicalismo discursivo que não batia certo com o seu programa económico, apostou tudo no roubo de votos à sua esquerda. Esqueceu-se, porém, de que o país não é o mesmo de há 20 ou 30 anos - embora às vezes pareça - e que as eleições se ganham ao centro. Foi esta fatia determinante do eleitorado que o PS alienou, mostrando a toda a gente como se faz para perder umas eleições.
8. Abstenção recorde
Os discursos da noite foram de elogio à participação cívica dos eleitores. Pudera, a expectativa era tão baixa e a consciência de tal modo pesada, que os principais responsáveis políticos se deram como satisfeitos por apenas 43,07% dos portugueses se terem abstido. Nada pior, como diz o povo, do que um cego que insiste em não querer ver. O que esta realidade nos mostra é que mais de 4 milhões dos eleitores inscritos ficaram em casa. A abstenção pode ser uma atitude política mas tem que ter consequências. Quem se demite de escolher não tem direito de passar a vida a queixar-se, por maior que seja o seu descontentamento. Temos pena, mas a democracia não é delegável. É, isso sim, o respeito pela vontade da maioria que se expressa e não pelos que preferem ficar de pantufas.
9. Os outros que não os mesmos
Há um novo partido no Parlamento. O PAN, Partido dos Animais e da Natureza, é o fenómeno do Facebook a entrar pela Assembleia da República dentro. À custa do PAN ficaram à porta o Livre de Rui Tavares ou o PDR de Marinho e Pinto. Quem frequenta redes sociais sabe que há cada vez mais quem eleve ao topo das suas prioridades os animais com prejuízo das pessoas. Faz sentido, sobretudo num país com tantos desempregados e onde os que foram forçados a emigrar são mais de meio milhão. Não sei se todos os que votaram no PAN têm consciência disto, mas julgo não andar muito longe da verdade se disser que daqui a quatro anos - ou talvez menos -, os mais de 74 mil "panófilos" estarão arrependidos do voto que desperdiçaram.
10. Uma boa notícia

A melhor notícia da noite foi que o PDR de Marinho e Pinto não entrou no Parlamento. O ex-bastonário dos advogados é eurodeputado em Bruxelas e era lá que queria continuar. Foi ele quem disse que não conseguiria viver em Lisboa com 4800 euros. Por isso, concorreu por Coimbra quando as sondagens lhe diziam que podia eleger deputados por Lisboa e Porto. O povo, que não é estúpido, pode cair à primeira em balelas demagogas. Mas à segunda, manifestamente, só cai quem quer (um trabalho do jornalista do DN-Lisboa, Nuno Saraiva, com a devida vénia)

Legislativas-2015: Noite de vitória das sondagens

Últimas sondagens acertaram em quase tudo: que não haveria maioria, que a coligação ganhava, que o PS ficava em segundo e até nos valores. Só erraram na ordem: CDU aparecia à frente do BE, o que não se verificou ontem
Atacadas por todos os lados durante a campanha, acabaram por ser as grandes vencedoras da noite de ontem: as sondagens. Os números da noite eleitoral confirmam os resultados com valores muito próximos das últimas pesquisas. As quatro publicadas na imprensa até dois dias antes do escrutínio acertaram todas no vencedor (a coligação PSD-CDS), no segundo classificado (PS), que não haveria maioria e que os pequenos partidos teriam dificuldades em eleger.
O erro foi mesmo na hierarquia dos partidos à esquerda do PS: no terceiro e quarto classificados. Nas sondagens, a CDU aparecia à frente do Bloco de Esquerda. Mas mesmo neste caso os valores em termos percentuais aproximam-se das sondagens.
Quando faltava apurar apenas o círculo fora da Europa, a coligação PSD-CDS contava com 38,55% dos voto s e o PS com 32,38%. Esses são valores muito próximos dos das últimas quatro sondagens que, em média, atribuíam 38% à coligação e 32,5% ao PS. O Bloco de Esquerda é o único partido com razão de queixa, mas mesmo assim com discrepâncias muito próximas e dentro da margem de erro.
Olhando para os 38,55% da coligação, verifica-se que as últimas quatro sondagens (entre os dias 1 e 2 de outubro) não se desviaram sequer um ponto do resultado real: 37,7% (Eurosondagem), 38% (CESOP), 39,1% (Aximage) e 37,2 % (Intercampus). O PS, que contava com 32,38% dos votos, também não se pode queixar, pois as mesmas sondagens registavam entre os 32 e os 32,9% e a média nos 32,5%.
Na CDU os desvios foram maiores, mas muito próximos. Os comunistas obtiveram ontem 8,26% dos votos e nas intenções de voto contavam com uma média de 9,1%, com valores que iam desde os 8,8% da Intercampus até aos 9,4% da Eurosondagem. A CDU só se pode queixar de ter sido sempre a terceira força (houve apenas sondagens diárias a meio da semana que chegaram a dar o Bloco de Esquerda à frente) nestas últimas pesquisas.
O BE foi o único que estava a ser verdadeiramente subvalorizado nas sondagens. Mas não muito. O partido liderado por Catarina Martins já tinha ontem 10,21% dos votos, enquanto nestas últimas quatro sondagens (ver infografia) teve uma média de 8,15% e andou entre os 6,7% que eram antecipados pela Eurosondagem e os 9% que eram dados pela Católica e Aximage.
Estas sondagens - a dois dias das eleições - davam também uma grande dificuldade em que os pequenos partidos elegessem mandatos à Assembleia da República. A Eurosondagem acreditava que não seria possível. A sondagem da Católica revelava que ou o Livre ou o PAN poderiam eleger, mas davam o PAN à frente nas intenções de voto. Até aqui houve algo de certeiro.
Isto porque ontem, por volta da uma da manhã, foi divulgado que o PAN elegia um representante no círculo de Lisboa.
Recuando para antes da última semana de campanha, houve sondagens que chegaram a dar mandatos ao PDR de Marinho e Pinto e ao Livre/Tempo de Avançar de Rui Tavares. Isso não se verificou. Mas essa era uma tendência de quebra que as últimas sondagens já vinham a demonstrar. Eleitas como inimigas de quase todas as forças partidárias, as sondagens acabaram por ser certeiras (texto do jornalista do DN, Rui Pedro Antunes, com a devida vénia)

TVI vence noite de legislativas

A emissão de Queluz de Baixo dedicada às legislativas foi a mais vista pelos portugueses, com 926 mil espectadores. A RTP1 ficou a curta distância e a SIC foi a menos vista.
A emissão da TVI dedicada às legislativas, comandada por José Alberto Carvalho, Judite Sousa e Pedro Pinto, foi a mais vista pelos portugueses entre o universo das generalistas, tendo sido o programa mais visto de domingo e reuniundo a preferência de uma média de 926 mil espectadores e conquistando uma quota de mercado de 20,5%.
Na RTP1, que dividiu o espaço dedicado às eleições em três partes, o maior bloco, que começou poucos minutos antes das 20.00 e foi conduzido por José Rodrigues dos Santos e João Adelino Faria, ficou em segundo posto, visto por uma média de 878 mil seguidores e atingindo um share de 18,8%.
A SIC foi a menos vista pelos portugueses na noite de domingo. A emissão ancorada por Clara de Sousa, Rodrigo Guedes de Carvalho e Bento Rodrigues foi acompanhada por uma média de 648 mil espectadores, o que equivaleu a uma quota de mercado de 14,2%.
No cabo, a SIC Notícias levou a melhor, fechando o dia com 2,4% de share, à frente da TVI24 (1,5%) e da RTP3 (1,1%). (DN)

Catarina Martins desafia PS. “Não será pelo BE que a maioria formará governo"


Jerónimo Sousa: Coligação foi fortemente castigada pelo povo

Álvaro Beleza não perdoa: António Costa tem que ir a votos

Madeira: coligação perde dois deputados

PSD é o vencedor, o Bloco de Esquerda a grande surpresa. O maior derrotado da noite: o CDS que deixa a Assembleia da República, o líder regional demitiu-se
3,2,1. É esta a chave da Madeira nestas eleições legislativas nacionais. Dos seis deputados do círculo eleitoral, três são do PSD, dois do PS e um do Bloco de Esquerda. Os resultados retiram dois deputados à coligação e já levaram o líder regional do CDS a apresentar a demissão e anunciar que deixa a vida partidária. No Bloco de Esquerda, fala-se de um “milagre”, de uma votação histórica e nunca vista na Madeira. Os socialistas festejam o regresso a segundo partido mais votado.
Miguel Albuquerque foi o primeiro a falar da vitória, o PSD voltou a ganhar umas eleições na Madeira, mas por uma margem mais curta e com menos um deputado. Desta vez, os sociais-democratas elegeram apenas três deputados contra os quatro alcançados em 2011. Os resultados podem não estar ao nível dos alcançados por Jardim, ainda assim são suficientes para o líder madeirense deixar claro: os seus três deputados na Assembleia da República estão ao serviço dos interesses da autonomia e da Madeira. “É o nosso compromisso”.
Embora tenha repetido que prefere o diálogo e assumido estar disposto a colaborar com o governo da coligação, a tónica foi a defesa dos interesses dos madeirenses em assuntos como o novo regime fiscal próprio cujas negociações poderão ser duras. Apesar da vitória, o PSD ganhou em 10 dos 11 concelhos da Madeira, a verdade é que os ventos que sopraram do continente chegaram à Região. O PS subiu a votação, voltou a ser o segundo partido mais votado e Carlos Pereira, líder e cabeça de lista, tem razões para sorrir.
Os socialistas recuperaram votos, têm mais um deputado e inverteram a tendência de descida que começou há 10 anos. Carlos Pereira tem também mais uma razão para sorrir: a sua estratégia resultou mesmo contra a vontade da direção nacional do partido. António Costa quis impor um cabeça de lista, a situação quase levou o corte de relações. O secretário-geral do PS acabou por vir à Madeira durante a pré-campanha e o assunto parece enterrado. Carlos Pereira pensa agora nas autárquicas de 2017 e nas regionais de 2019. “A tendência começou a inverter-se”, disse.
Quem já esteve “morto e enterrado” foi o Bloco de Esquerda na Madeira quando perdeu a representação parlamentar na Assembleia Legislativa. Talvez por isso e para não sonhar muito, o líder regional não quis acreditar, chegou a confessar que “só por milagre” o candidato seria eleito. Por brincadeira, quando começaram a chegar os primeiros resultados e se percebeu que o 'efeito Catarina' estava a dar frutos na Madeira. A meio da noite, Roberto Almada brincava e dizia a Paulino Ascensão, o cabeça de lista, para procurar viagens baratas para Lisboa já que podia ser eleito.
O “milagre” aconteceu. O BE teve o melhor resultado de sempre nas eleições nacionais e elegeu um deputado, um feito nunca visto nem no tempo da UDP. Paulino Ascensão já anunciou que vai para a Assembleia da República bater-se pela renegociação da dívida pública regional. A festa, bem a festa foi breve, segunda-feira é dia de trabalho. “E estes rapazes têm escola”.
O grande derrotado das eleições foi o CDS, que perdeu o deputado em São Bento, passou de segunda força mais votada a quinto partido mais votado na Madeira, atrás do JPP. Perante estes resultados, o líder regional dos centristas apresentou a demissão e anunciou a sua saída da vida partidária. José Manuel Rodrigues, antigo jornalista, lançou-se na vida política nas eleições legislativas nacionais de 1995. 20 anos depois deixa a vida política e partidária com uma pesada derrota. O CDS não foi além dos 6% , metade do que teve em 2011.
O JPP, o partido sensação das eleições regionais, falhou a eleição de um deputado, que era o grande objetivo. No total, teve menos votos do que em Março e não ganhou o concelho de origem, Santa Cruz (Expresso)

Imprensa internacional: Vitória de Passos dá gás à austeridade na Europa

A maioria dos mais reputados jornais do mundo chama o resultado das eleições portuguesas à primeira página. Veja aqui os principais destaques.
Financial Times
O Financial Times destaca o facto de Pedro Passos Coelho ser o primeiro primeiro-ministro que aplicou um programa de austeridade a vencer eleições legislativas. O FT assume que o resultado da coligação vai implicar um acordo com o PS para viabilizar o governo minoritário. O jornal britânico de economia sublinha que, apesar da vitória, a coligação Passos/Portas "perdeu a sua maioria absoluta no Parlamento", com os partidos de esquerda "a ganhar mais de metade dos assentos parlamentares". 
El País
Na mesma linha, o El País faz manchete no site com o facto de o Governo português que aplicou um programa de austeridade ter sido validado nas urnas: "Portugal dá aval nas urnas às políticas de austeridade". O jornal destaca o facto de Passos ter classificado o resultado como "suficiente" para viabilizar um executivo estável. E lembra a inflexibilidade de Passos face ao primeiro governo de Alexis Tsipras, dizendo que Cavaco Silva tem agora um papel determinante no futuro do País. O primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy - que vai a eleições em Dezembro e também aplicou medidas difíceis - já deu os parabéns a Passos Coelho.  
Reuters
A Reuters diz que a vitória com minoria aumenta a incerteza política, relembrando que nenhum governo minoritário cumpriu o seu mandato desde 1974. A agência noticiosa diz que até há alguns meses esta vitória era impensável e que chega perante sinais de que noutros países, como a Grécia, "os eleitores parecem resignados à austeridade". 
Le Monde
O jornal francês escreve em título que "a coligação de direita se mantém no poder" e que o resultado minoritário fragiliza Portugal num momento em que dá sinais de que pode estar a sair da crise, após um programa de resgate. O Le Monde afirma mesmo que se Passos se quiser manter no lugar terá de se entender com o PS. O Le Monde olha ainda para a "posição voluntariamente ambígua de António Costa que lhe permite manter-se no centro da vida política", apesar da derrota. 
The Guardian
O periódico britânico ilustra a noticia com uma fotografia de festa e nota o facto de a Constituição portuguesa não ser taxativa em relação ao critério que deve ser seguido pelo Presidente da República para chamar partidos a formar Governo - se pelo número de votos ou pelo número de mandatos. E defende que a eleição de ontem foi um dos vários testes à prontidão dos eleitores europeus para apoiarem politicas de austeridade com o objectivo de recuperar as finanças públicas. 
The New York Times
O The New York Times é dos poucos jornais que não tem o resultados das eleições na primeira página, mas o artigo faz uma leitura comum de que venceu o partido pró austeridade e atribui à instabilidade na Grécia créditos tanto na vitória de Passos como na divisão à esquerda. 
Le Figaro
O jornal francês Le Figaro destaca que, em Portugal, a direita "ganhou largamente" as eleições legislativas, um cenário que era imaginável há poucos meses. A coligação conseguiu, refere, passar a mensagem que a vitória do PS seria um regresso aos tempos de José Sócrates e às políticas que conduziram o país à bancarrota, ressalva o jornal de direita. O Le Figaro defende ainda que os resultados também reflectem o facto de o ex-primeiro-ministro estar preso.  
Bloomberg
A agência de notícias sublinha o facto de em Espanha, Mariano Rajoy, e na Irlanda, Enda Kenny, estarem a respirar de alívio depois da vitória da coligação de direita em Portugal. A Bloomberg lembra que Espanha vai a votos já a 20 de Dezembro e que este resultado é "música para os ouvidos de Rajoy". Os analistas ouvidos pela agência estão sensíveis ao facto de ser agora uma minoria que se prepara para governo o País. 
Suddeutsche Zeitung
O alemão Suddeutsche Zeitung destaca que "o primeiro-ministro Coelho celebra a reeleição". O jornal alemão refere que apesar de uma antecipada corrida taco a taco entre PSD e PS, a coligação conseguir descolar depois de Costa "ter sido forçado a admitir" que não havia alternativa para a continuação da austeridade, prometendo apenas "um ligeiro aumento dos benefícios sociais". O Suddeutsche Zeitung menciona também a sombra do caso Sócrates nas eleições. (Económico)

Enquanto Cavaco reflecte, PS afia as facas

Os resultados das legislativas de ontem são naturalmente o prato forte do dia, ofuscando as celebrações do 5 de Outubro. Cavaco Silva já havia avisado que não ia comparecer às cerimónias devido à necessidade de reflectir sobre os próximos passos tendentes à formação do novo governo, o que também contribuiu para um evento esvaziado.
A vitória da coligação, sem maioria absoluta, deixa em aberto o que poderá acontecer, nomeadamente em termos de aprovação de Orçamento do Estado, que precisará do apoio (pelo menos tácito) de mais um partido, ou seja, do PS. António Costa não foi ontem claro sobre o que pretende fazer. Para arrumar ideias, nada como visitar a infografia do Económico com os resultados por região.
Enquanto Cavaco reflecte, no PS discute-se o que fazer agora. Costa não se demitiu mas já há quem queira tirar-lhe o lugar depois da derrota de ontem. Álvaro Beleza, pelo menos, quer forçar uma discussão, que pode trazer outros candidatos.
O Diário Económico passou a manhã a falar com empresários para tomar o pulso à comunidade. A opinião não é surpreendente mas não perde relevância: os partidos, nomeadamente os maiores, têm de se entender, e a coligação deve mesmo governar em minoria. Lá fora, o resultado dos partidos do Governo foi recebida com alívio por parte de várias entidades conotadas com a aplicação de medidas de austeridade. A Comissão Europeia saudou os vencedores, Rajoy também ficou contente e a imprensa internacional aponta o caso nacional como um exemplo de que a austeridade pode não ser tóxica politicamente e não é garantia de derrota eleitoral.
Nos mercados, a reacção é igualmente positiva. A manutenção da força que governa o país sobrepôs-se, para já, aos receios de instabilidade, levando à descida dos juros da dívida pública portuguesa no mercado secundário. Também a bolsa acordou bem-disposta, com o PSI 20 a valorizar mais de 2%, com o volátil BCP a disparar mais de 6%, corrigindo de perdas recentes e influenciado naturalmente pelo baixo valor unitário da acção. Pela Europa fora, o sentimento positivo prende-se com a alta dos sectores de energia e matérias-primas.
No mundo das empresas, duas notícias de reestruturação com impacto negativo na vida de muitos trabalhadores. Em Portugal, o Económico avança hoje que a construtora Somague vai cortar 300 postos de trabalho. Em França, a Air-France KLM anunciou 2900 despedimentos. Coube a Xavier Broseta, director de recursos humanos do grupo, dar a notícia aos sindicatos, que reagiram com violência e com anúncio de um severo plano de greves. As imagens mostram um Broseta de roupa rasgada, tentando desesperadamente escapar à fúria dos trabalhadores.
Esta tarde continuará a ser marcada pelos desenvolvimentos da actualidade política, naturalmente acompanhados de perto pelo Económico (texto do jornalista do Económico, Tiago Freire, com a devida vénia)

Jardim: “O PS vai fritar a coligação em lume brando durante um ano e meio”

Alberto João Jardim acredita que dentro de um ano, mais coisa, menos coisa, haverá eleições antecipadas. O antigo líder madeirense diz mesmo que o “PS vai fritar a coligação em lume brando durante um ano, um ano e meio”. Ou seja, os socialistas vão esperar pelo momento certo para dar o golpe de misericórdia no Governo sem maioria parlamentar.
Esta é a primeira ilação que o antigo presidente do PSD-Madeira tira das eleições deste domingo, onde a prestação do partido que liderou por quase 40 anos não foi a melhor. “Estou muito preocupado com estes resultados. Conseguimos eleger três deputados mas descemos quase 12% em relação a 2011”. E por isso é tempo de acabar com a “fracturação” entre novos e velhos. Só assim, explica, “é possível mobilizar a população e levar o PSD a resultados acima dos 50%”.
Depois de informar que ninguém o convidou para fazer campanha – diz que existe uma divisão no PSD entre novos e velhos -, não poupou nas palavras e classificou a lista do PSD-Madeira à Assembleia da República como muito fraca. A sorte foi que as outras eram ainda piores. “Ninguém ia votar no PS”. Quanto ao BE, Jardim não tem grande consideração pelos dirigentes locais. A eleição de um deputado foi o resultado da campanha eleitoral nacional do BE.
E claro, um efeito Catarina Martins. Aqui chegado, Jardim fez um enorme sorriso para elogiar a líder do Bloco de Esquerda: “É fantástica. Tomara ter tido, enquanto estive nas lides políticas, uma mulher daquelas a meu lado. Eu e qualquer líder partidário. Ela é uma líder, tem agora ter cuidado nas pessoas que escolhe para ter ao lado dela”. O antigo presidente do PSD-Madeira abriu até uma exceção na aversão aos “comunistas e à esquerda radical”. Desta vez, o BE foi menos comunista e mais Syriza.
O eleitorado do sul da Europa é muito sensível a esse discurso contra as medidas hediondas a favor do grande capital e contra a população. Foi contra a austeridade que as pessoas votaram no Bloco de Esquerda e retiraram a maioria absoluta à coligação. Foi por isso que até na Madeira o eleitorado penalizou o PSD e o CDS (Expresso)

Legislativas-2015: Nove factos que ficaram perdidos na noite eleitoral

Para além da perda da maioria absoluta pela coligação, da derrota do PS e da ascensão do Bloco de Esquerda, o 4 de Outubro trouxe outras peculiaridades. Confira aqui.
Nove factos que ficaram perdidos na noite eleitoral
CDS tem menos deputados que o BE
‘Pescados' no meio da coligação os nomes dos militantes eleitos pelo CDS, chega-se à conclusão que o PSD está coligado com a quarta maior força partidária do país, ex-aequo com os comunistas. O partido liderado por Paulo Portas elegeu 17 deputados - tantos como a CDU, mas menos dois que o Bloco de Esquerda. Continua a ser verdade aquilo que Portas tem dificuldade em entender: há mais trotsquistas que democratas-cristãos em Portugal.
António Costa perdeu em Lisboa
O líder do PS, António Costa, não se limitou a perder as eleições: perdeu também em Lisboa - cidade que liderou e que, paradoxalmente, serviu de trampolim à sua candidatura a secretário-geral do partido. O ex-presidente da Câmara atingiu na capital os 34,76%, contra os 37,47% obtidos pela coligação PSD/CDS.
Melgaço campeão das abstenções
Mais de 67,1% dos eleitores de Melgaço, em Viana do Castelo, optaram por não por os pés nas eleições. Foram os campeões do abstencionismo, mas houve muitas outras freguesias que apresentam forte concorrência, com várias marcas acima da fasquia dos 65%.
Sardoal campeão dos participantes
Sardoal arrisca-se a ser a aldeia mais central do país. Mas não é por isso que passou a ser notícia: foi o concelho menos abstencionista no acto eleitoral de domingo. Apenas 29,53% dos eleitores optou por não votar. Segundo as estatísticas mais recentes, a aldeia é habitada por cerca de duas mil pessoas. Juntamente com Sardoal, Vila de Rei (em Castelo Branco) foi, com uma abstenção de 29,57%, o outro concelho que conseguiu ficar abaixo da barreira psicológica dos 30%.
Quem é o novo deputado do PAN?
André Lourenço e Silva, de 39 anos, é formado em Engenharia Civil, com especialização em recuperação do património arquitectónico e artístico. Vive em Lisboa, numa casa com uma horta de 50 metros quadrados. É vegetariano (dir-se-ia quase uma obrigação de coerência!), pratica mergulho e está no PAN desde 2012. Afirma que o seu partido é um projecto de cidadania.
Portugal dividido entre o laranja e o rosa
Se se traçar uma linha oblíqua entre o noroeste do distrito de Setúbal e sudeste de Castelo Branco essa linha é a fronteira entre o país laranja, para Norte, e o país rosa, para Sul. Esta hegemonia só se perde se a observação for mais fina e atingir o nível dos concelhos. Aí, há algumas bolsas socialistas no país laranja, mas apenas uma social democrata no país rosa. Mas o país rosa também tem de ‘suportar' algumas bolsas comunistas no Alentejo profundo.
Mais mulheres no Parlamento...
Na próxima legislatura, um terço do Parlamento vai ser ocupado por mulheres: serão 76 num total de 230 lugares. O número de deputadas cresceu em relação às eleições legislativas de 2011, são agora mais 14, do que há quatro anos. Na coligação Portugal à Frente, dos 104 deputados eleitos, 33 são mulheres; no PS, dos 85 deputados eleitos, 27 são mulheres, enquanto que no Partido Comunista Português/Verdes, dos 17 deputados eleitos, sete são mulheres. No PPD/PSD Madeira, dos três candidatos eleitos, duas são mulheres, e no PPD/PSD Açores foi eleito um candidato e uma candidata.
... mas menos no BE
Num partido que cresceu à custa de duas mulheres, Catarina Martins e Mariana Mortágua, os homens são quem mais ordena... De facto, e contra o que poderiam ser expectativas básicas, o Bloco de Esquerda é quem apresenta o pior ‘score' em termos de representação parlamentar no feminino: 31,5%. PàF e PS atingem os 31,7% e a CDU ascende aos 41%. À margem disto, o PAN elegeu 100% de homens...
Afinal, a abstenção foi a maior de sempre
Às 19 horas, quando as urnas estavam a fechar no Continente e na Madeira, uma televisão divulgava os resultados de uma sondagem segundo a qual as abstenções tenderiam a ser muito poucas. Vários membros de diversos partidos entenderam ser razoável dar uma explicação para o facto - apresentando conhecimentos mais ou menos profundos na área da sociologia aplicada a actos eleitorais. No final, afinal as sondagens também e enganam: a abstenção atingiu os 43,1%, a maior desde sempre. Só em 2009 se inverteu esta tendência, consolidada desde os anos 80 (texto do jornalista do Económico, António Freitas de Sousa,com a devida vénia)

Schäuble: "Não será fácil" formar Governo em Portugal

O ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schäuble, afirmou nesta segunda-feira que "não será fácil a formação de Governo em Portugal", após a coligação Portugal à Frente (PSD e CDS/PP) ter ficado aquém de uma maioria absoluta nas eleições deste domingo.
Apesar de tudo, Schäuble, à entrada para a reunião do eurogrupo, afirmou que "há sinais encorajadores" saídos das eleições. Já esta manhã a Comissão Europeia felicitou Passos Coelho pela vitória e que os resultados em Portugal confirmaram "a vontade da maioria dos portugueses em manter o rumo das reformas".
O titular da pasta das Finanças do Governo alemão falou ainda do terceiro resgate à Grécia e da crise nos refugiados.
Sobre o país de Alexis Tsipras, Schäuble afirmou é muito cedo para se falar de atraso no plano grego e que há uma "posição comum" na União Europeia acerca do pagamento da tranche de 2.000 milhões de euros ao país. Não há necessidade especial para discutir a Grécia já hoje, afirmou, antes do encontro entre os ministros das Finanças da zona euro. As conversações com o FMI relativamente a Atenas, virão depois.
Outro dos responsáveis das Finanças, o austríaco Hans Jörg Schelling, citado pela Bloomberg, afirmou que espera ver a Grécia a recuperar do atraso na implementação das medidas acordadas com os credores.
Noutra crise, a dos refugiados, Schäuble afirmou que a Comissão Europeia deverá acomodar o impacto no seu orçamento, enquanto Schelling pretende que se considerem os custos extra dos refugiados (Económico)

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Legislativas-2015: Os três destaques da noite PS, Bloco e Livre


Televisão: Quem ganhou foi a ‘abstenção’.

Se houvesse um paralelismo com a realidade eleitoral, podíamos dizer que nas televisões ontem à noite quem ganhou foi a abstenção, ou seja, aqueles que não quiseram ver os canais que deram em contínuo (entre as 20h e cerca das 0h de hoje)  o apuramento de resultados e a análise da noite de eleições.
De acordo como relatório da GFK/Mediamonitor, um estrondoso número de 51,4% de telespetadores não estiveram a seguir a noite eleitoral. A programação dos canais por cabo e o visionamento de programação gravada interessou mais os portugueses do que o que se passava nos ecrãs das  generalistas: RTP1, RTP2, SIC e TVI.
E foi mais uma data histórica, depois de em 16 de Agosto deste ano o cabo e os canais gravados terem tido um resultado maior que o visionamento da chamada televisão linear. Foi a segunda vez que a ‘fatia’ canais  por cabo (alguns com subscrição) e gravação de conteúdos é maior que a outra fatia: a da televisão que está a dar em direto. Refira-se que ontem, pela primeira vez, houve futebol em dia de eleições, com o jogo do Sporting / Vitória de Guimarães transmitido pela SporTv.
Mas, claramente, quem perdeu as eleições foi a SIC, com 648 mil espetadores. A TVI ganhou a noite, com 926 mil.  E a RTP1 conseguiu um segundo lugar, no bloco informativo principal , das 20h às 23h50, com 878 mil espetadores. Quanto à divisão dos espetadores, a SIC ficou com um share de 14,2%; a RTP1 com 18,8% e a TVI com 20,5% (Sol)

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