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segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

2:59 para explicar o mundo: como os bancos destruíram €40 mil milhões

Numa altura em que o Governo prepara mais impostos para a banca e arranca uma comissão de inquérito ao Banif, o Expresso mostra como os bancos passaram de lucros a prejuízos – e como os contribuintes já os apoiaram com mais de 20 mil milhões de euros, em aumentos de capital e empréstimos de que só foram recebidos 4,5 mil milhões. E falta ainda fechar as contas no BPN e no Novo Banco, receber dívidas do BCP e subir o capital da CGD. Jornalismo de dados em dois minutos e 59 segundos. Para compreender o mundo (Expresso)

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Empréstimos para compra de casa cada vez mais baratos

Os empréstimos para a compra de casa estão cada vez mais baratos. As taxas euribor estão no valor mais baixo de sempre e assim deverão manter-se. Ainda assim, a Deco deixa alguns avisos para quem vai fazer um novo crédito.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Ex-presidente e ex-administradores do BPP acusados de fraude fiscal

João Rendeiro e outros 3 antigos administradores do BPP estão a contas com mais um processo judicial. Os 4 ex-administradores e outros 2 quadros do BPP são acusados de fraude fiscal e branqueamento de capitais.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Onde andam os antigos poderosos da banca após os escândalos?

Com 2015 à beira do fim, o Banif entrou para uma lista onde antes já tinham entrado, por razões diferentes, bancos como o BPP, o BPN ou o BES. Mas não é só ao nível das instituições que o setor bancário em Portugal foi alvo de mudanças nos últimos anos. Também muitos rostos mudaram. Com a queda de um banco caem também figuras de relevo. Alguns veem-se obrigados a refazer a vida noutros negócios. Outros há que, pelas suas ligações à política, viram a sua carreira viver mudanças. E há até quem ainda esteja envolvido em processos judiciais. A revista Visão que saiu esta quinta-feira para as bancas recorda-nos onde andam alguns dos antigos poderosos da banca após os escândalos.
Armando Vara já foi ministro e administrador da Caixa Geral de Depósitos. O processo Face Oculta trouxe o seu nome de volta para a ribalta, mas pelas suspeitas. Atualmente, aguarda ainda por decisões judiciais. Já os seus negócios pessoais, muitas vezes dependentes de viagens ao estrangeiro, têm estado a meio gás na sequência de decisões da Justiça. Primeiro, estava impedido de sair de casa. Depois, já em liberdade, continuou a ser impedido de sair do país, o que não lhe facilitou os negócios.
Dias Loureiro foi ministro nos dois governos de Cavaco Silva. A queda do BPN e as suspeitas em torno da Sociedade Lusa de Negócios (SLN) trouxeram o seu nome de volta à ribalta. Após o fim do BPN, em 2009, acabou por ser constituído arguido. O processo ainda não terminou mas à Visão realça que a sua vida “não se divide em antes e depois da SLN”. Atualmente, passa muito tempo fora do país, seja a tratar de negócios, seja “a gozar os prazeres de uma família que já é grande e muito feliz”.
Filipe Pinhal integrava a administração do BCP. Foi figura próxima de Jardim Gonçalves e chegou a suceder a Paulo Teixeira Pinto. Acabou condenado a pena suspensa e a quatro anos sem poder exercer cargos de topo em instituições financeiras, além de ter uma indemnização de 300 mil euros. Atualmente, tem-se dedicado a uma empresa imobiliária com os filhos. Compra e vende imóveis de luxo e os seus principais clientes são estrangeiros com vistos gold.
Henrique Granadeiro, ex-chairman da PT, foi durante vários anos elogiado pela sua gestão, estando próximo do poder. O gestor acabou caído em desgraça por um negócio que, sendo de uma operadora de telecomunicações, acabou por se integrar na ‘derrocada’ provocada pelo fim do Grupo Espírito Santo (GES). Foi ele um dos decisores do investimento ruinoso em papel comercial (897 milhões de euros) numa holding falida e sem retorno do GES. A sua vida financeira já não será tão desafogada como noutros tempos. Atualmente dedica-se também à produção de vinho e procura apoios para outros projetos agrícolas, dá conta a mesma publicação.
Aos 80 anos, o antigo banqueiro Jardim Gonçalves será dos poucos que manteve um vasto leque de amigos após a sua saída da banca. A dada altura impedido de exercer atividade financeira, lançou uma biografia nos últimos anos e tem-se mantido ocupado, entre o trabalho no seu escritório e o acompanhamento da mulher, adoentada. O vinho Infinitude é dele, bem como uma empresa de médicos ao domicílio.
João Rendeiro foi presidente do BPP, um dos bancos cujo fim causou escândalo. Várias figuras públicas perderam dinheiro com o fim do BPP. Já o banqueiro, absolvido no caso Privado Financeiras, aguarda ainda outras decisões judiciais. No entretanto, mantém o seu estilo de vida, é consultor e autor de um blogue, o Arma Crítica, onde fala da atualidade, inclusive do fim de outros bancos (como o Banif, entretanto vendido ao Santander com custos para os contribuintes).
O nome de Oliveira e Costa acabou por se confundir com o escândalo BPN. Está envolvido em vários processos relacionados com o banco que já não existe. Segundo a Visão, continua à espera de decisões judiciais. No entretanto, sai pouco de casa, a sua saúde já não é a melhor e não terá mais de um milhão de euros. As indemnizações pedidas já ultrapassarão o dinheiro que, de facto, tem.
Não é por acaso que escolhemos uma foto de Ricardo Salgado para ilustrar este texto. O antigo ‘Dono Disto Tudo’ exemplifica, como mais ninguém, a queda de um ‘gigante’. O patrão do BES foi durante anos figura influente nos destinos do país. Mas a queda do GES e do banco que geria causaram danos colaterais um pouco por todo o lado. A última vez que as câmaras o captaram ia votar, em dia de legislativas. Foi logo pela manhã, evitando grandes concentrações de pessoas. Em Cascais, leva uma vida discreta. Vai à missa na capela da família e mantém-se longe dos holofotes. No entretanto, prepara a sua defesa.

De Zeinal Bava os portugueses dificilmente esquecerão o momento em que foi confrontado, na comissão de inquérito parlamentar, pela deputada bloquista Mariana Mortágua: afinal de contas como é que um gestor em tempos eleito o melhor no seu setor na Europa tinha dado aval a um negócio tão ruinoso que custou 897 milhões de euros à PT? O ex-presidente da Oi e da PT SGPS deixou o setor em Portugal mas aproveitou o facto de ter um filho a estudar em Londres para voltar a dedicar o seu tempo à City londrina. É lá que mantém a sua ligação às telecomunicações (noticiasaominuto)

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Governador diz que responsáveis bancários e políticos devem aprender lição

O governador do Banco de Portugal deixou esta quarta-feira vários recados, numa conferência em Lisboa, em que também esteve presente o ministro das Finanças. Carlos Costa criticou a política de distribuição de dividendos dos bancos e disse que os responsáveis, da banca

Holding do Banif falhou pagamento de juros e reembolsos

No rescaldo da queda do Banif, há outros obrigacionistas, que não apenas os do banco, que poderão ser afetados. Em causa está um empréstimo obrigacionista, no valor de 60 milhões de euros. Muitos clientes queixam-se que a Rentipar, a holding acionista do banco, já falhou o pagamento de juros e de reembolsos antecipados.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Bancos portugueses perdem valor. Há menos crédito disponível

As conclusões do Banco de Portugal estão na análise do sistema bancário relativo ao terceiro trimestre deste ano. Os dados são referentes ao período anterior à resolução do Banif. O crédito malparado está a aumentar. O Banco de Portugal alerta para a perda de valor dos activos dos bancos. Na avaliação do sistema bancário português, referente ao terceiro trimestre do ano, divulgada esta segunda-feira, o regulador justifica esta redução com a quebra do crédito a clientes.
Os activos tiveram uma depreciação de 2,3% entre Junho e Setembro de 2015, em relação ao mesmo período do ano passado.
Estes dados foram recolhidos até 1 de Dezembro, ou seja, são anteriores à resolução do Banif e posterior venda do banco ao Santander.
O crédito em risco dos bancos aumentou para 12,9%. Um crescimento ligeiro em termos comparativos com o mesmo período do ano passado, mas que se comparado com 2010 vale já mais 7 pontos percentuais.
As empresas não financeiras são quem mais contribui para o malparado. Em relação aos depósitos dos portugueses mantêm-se resilientes. Ainda assim no terceiro trimestre deste ano, a rentabilidade do sistema bancário registou valores positivos. Em termos homólogos, a melhoria dos resultados resultou essencialmente da redução do fluxo de imparidades e provisões (Renascença)

quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Comissões cobradas por depósitos a 12 meses anulam lucros com juros

Depositar até 2.500 euros a prazo afinal não compensa. A conclusão é de um estudo da Associação de Defesa do Consumidor (Deco) que diz que, em mais de 20 bancos a operar em Portugal, as comissões bancárias são tantas que anulam os juros dos depósitos a prazo.

domingo, 15 de novembro de 2015

Banca: maiores regressam aos lucros

Os maiores bancos portugueses conseguiram lucros nos primeiros nove meses de 2015, com indicadores como a margem financeira e o produto bancário a darem sinais de recuperação (Económico)

terça-feira, 3 de novembro de 2015

Depositantes chamados a salvar bancos dentro de dois meses?

No primeiro dia de 2016, dentro de dois meses, um banco que necessite de ser salvo já terá de responder às novas regras europeias. Com as perdas do BPN ainda por contabilizar na íntegra – mas sabendo-se já que custarão vários pontos percentuais do PIB – e a um mês da esperada nova tentativa de venda do Novo Banco, erguido pelo Fundo de Resolução da Banca sobre os escombros do BES, fazem-se os últimos preparativos para a entrada em vigor das regras europeias de ‘bail-in’.
O ‘bail-in’ contrasta com o ‘bail-out’ a que foi submetido o BPN sobretudo porque se aplica o princípio de salvaguarda do dinheiro dos contribuintes. Preto no branco ficará a inclusão do capital dos depositantes como forma de salvar o banco do qual são clientes.
Contactado pelo Económico, o Banco de Portugal não esclareceu, em tempo útil, se haverá uma campanha de informação aos clientes para que estes saibam que o seu dinheiro pode ser envolvido no resgate ao “seu” banco, caso ali detenham mais de 100 mil euros em capital aplicado depositado.
Sobre a resolução que inclui o 'bail-in', o presidente da Associação Portuguesa de Bancos, Faria de Oliveira, afirmou em 2013, à Reuters - aquando do anúncio da negociação do regime na União Europeia - que “o novo regime da resolução de bancos é em tudo mais favorável para os depositantes do que o único anteriormente existente, que é o regime de liquidação (…) não só porque contempla um conjunto de mecanismos de prevenção da deterioração da situação financeira dos bancos, e de intervenção precoce caso esta deterioração se comece a delinear”, como também porque “prevê todo um conjunto de mecanismos que irão procurar resolver em vez de liquidar os bancos, salvaguardando desta forma os activos de qualidade e protegendo de forma mais eficaz os interesses dos depositantes”.
A directiva comunitária de resolução ‘bail-in’ já se aplica desde 31 de Março deste ano, com excepção para a formulação que coloca os depósitos de particulares e PME na linha de fogo em caso de queda de um banco. Para os restantes passivos – designadamente accionistas – já vigora.
Num mês em que a imprensa italiana noticiou que três bancos (Carife, Etruria and Banca Marche) seriam intervencionados segundo as novas regras, e no meio de notícias que colocam em questão a solvabilidade do Banif, e, na Grécia, se prepara um resgate à banca com dinheiros europeus – via reforço de capital no âmbito do terceiro programa de assistência a Atenas –, a Europa prepara-se para a entrada em vigor de uma medida em que o pânico dos depositantes foi tido em conta.
Recuando um par de meses, recordamos as questões levantadas aquando das notícias que aventavam a hipótese de recurso aos depósitos dos clientes gregos, no decurso do encerramento dos bancos na Grécia e da sua eventual situação de falência.
A directiva 2014/59/UE, do Parlamento e Conselho europeus, explicita que “as autoridades de resolução deverão poder excluir, total ou parcialmente, passivos em determinadas circunstâncias”. Entre estas, a possibilidade de contágio e instabilidade financeira, sendo que, na avaliação que as autoridades farão, deverão também “ponderar as consequências” do recurso ao valor dos depósitos acima de 100 mil euros de pessoas singulares, micro, pequenas e médias empresas.
Entre as consequências, um “contágio a larga escala” com potencial de perturbar “gravemente o funcionamento dos mercados financeiros, incluindo das respectivas infra-estruturas, a ponto de poder causar perturbações graves na economia de um Estado-Membro ou da União”. E ainda ponderar se “a aplicação do instrumento de recapitalização interna a esses passivos causaria uma destruição de valor tal que as perdas sofridas por outros credores seriam maiores do que se esses passivos fossem excluídos da recapitalização interna."
A menção de clientes particulares, micro, pequenas e médias empresas não é inocente. Em caso de uso dos depósitos dos clientes, a captação respeitará uma hierarquização em que estes virão em último lugar. Prioritários na entrada na resolução interna (‘bail-in’) serão, por esta ordem, os accionistas, detentores de dívida subordinada, de dívida sénior e (ao mesmo nível desta), os depósitos das grandes empresas superiores a 100 mil euros. Em último lugar, e se os restantes elementos da hierarquia não forem suficientes para absorver as perdas, serão chamados os depósitos não cobertos pelo Fundo de Garantia (valor acima de 100 mil euros) pertencentes a micro, pequenas e médias empresas e aos particulares. E, ainda assim, sujeito a uma avaliação sobre o potencial de contágio a outros bancos desse país, ou mesmo da União Europeia.
A decisão final sobre a inclusão, ou não, dos depósitos bancários não garantidos de particulares, micro e PME, caberá a várias entidades, que avaliarão o potencial de pânico no sistema financeiro da zona euro decorrente da inclusão de depositantes no ‘bail-in’. Entre estas, autoridades nacionais de resolução, que, de acordo com a directiva 2014/59/UE, poderá ser o banco central ou um ministério, entre outras entidades.
De qualquer forma, ressalva a norma comunitária, “devem existir medidas estruturais adequadas para assegurar a independência operacional e para evitar conflitos de interesse entre as funções de supervisão (…) ou as outras funções da autoridade em causa, e as funções atribuídas às autoridades de resolução pela presente directiva, sem prejuízo do intercâmbio de informações e das obrigações de cooperação exigidas”.
Crise tornou necessária salvaguarda dos contribuintes
A discussão da salvaguarda do dinheiro dos contribuintes começou a ganhar força em 2008, após a crise que se iniciou com a queda do Lehman Brothers em Setembro desse ano e a decisão, dias depois, de injectar 85 mil milhões de dólares do tesouro norte-americano na seguradora AIG, ligada a seguros de hipotecas imobiliárias.
Nesse mesmo ano, mas dois meses depois, o Governo decidia-se pela nacionalização do Banco Português de Negócios (a primeira desde 1975), originando perdas ainda não determinadas aos contribuintes portugueses. Se a directiva que entra em vigor na plenitude a 1 de Janeiro já existisse, a alternativa imediata à falência do banco não seria a injecção de dinheiro público, mas sim a resolução, que inclui, no último lugar da cadeia contributiva, os depositantes com mais de 100 mil euros depositados na instituição em causa. Segundo a directiva da resolução comunitária “salvo disposição expressa em contrário na presente directiva, os instrumentos de resolução deverão ser aplicados antes da injecção de capitais públicos ou da concessão de apoio financeiro público extraordinário equivalente a uma instituição”.
A directiva europeia contém uma referência que, quanto mais não seja, coloca sobre os bancos um dever ético de saída do mercado em caso da sua instituição entrar em insolvência: “a fim de evitar o risco moral, qualquer instituição em situação de insolvência deverá estar em condições de se retirar do mercado, independentemente da sua dimensão e do seu grau de interligação, sem provocar perturbações sistémicas”.
Indica esta norma, que dentro de dois meses estará em vigor, que “as instituições em situação de insolvência deverão em princípio ser liquidadas ao abrigo dos processos normais de insolvência”, ainda que, se for posta em causa “a estabilidade financeira”, se “interromper a prestação de funções críticas e afectar a protecção dos depositantes”, então “é altamente provável que seja do interesse público decidir colocar a instituição sob resolução e aplicar os instrumentos de resolução, em vez de recorrer aos processos normais de insolvência”.
Os objectivos da resolução deverão “consistir em assegurar a continuidade das funções críticas, evitar efeitos adversos sobre a estabilidade financeira, proteger as finanças públicas, limitando ao mínimo o recurso a apoios financeiros públicos extraordinários às instituições em situação de insolvência, e proteger os depositantes e investidores cobertos e os fundos e activos dos clientes”, lê-se na directiva, a qual indica que uma “instituição em situação de insolvência deverá ser mantida em actividade através da utilização de instrumentos de resolução, utilizando, tanto quanto possível, fundos privados. Isso poderá ser conseguido através da alienação ou da fusão com um adquirente do sector privado, através da redução do passivo da instituição ou através da conversão da sua dívida em capitais próprios, a fim de proceder a uma recapitalização”.
Apesar de a directiva 2014/59/EU se tornar obrigatória apenas dentro de dois meses, alguns países, como Portugal, já adoptaram ao longo deste ano parte das deliberações nela contidas. No caso nacional, falta passar para letra de lei a entrada do capital dos depositantes no conjunto de activos que abaterá ao passivo do banco resgatado.
Dados do Fundo de Garantia de Depósitos (FGD) relativos a 2014 mostram que do total de dinheiro depositado nos bancos nacionais, 74% está coberto pela salvaguarda deste mecanismo – até 100 mil euros por titular de conta na instituição em causa, com algumas excepções previstas no decreto-lei 298/92.
Ou seja, segundo o relatório do FGD no final do ano passado, 26% de todo o dinheiro que particulares e empresas tinham depositado em Portugal (162,677 mil milhões de euros), 41,6 mil milhões de euros estavam distribuídos por contas bancárias em que o saldo é superior a 100 mil euros (Económico, texto do jornalista Alexandre Frade Batista)

BPN: Uma factura passada há sete anos em que os custos ainda são desconhecidos

Os quadros de Miró, que pertenciam ao BPN, continuam a ter um ponto de interrogação no seu futuro. E são o exemplo de que ainda não é possível calcular quais os encargos que o Estado terá com o banco nacionalizado a 2 de Novembro de 2008.
"Podem os portugueses estar tranquilos, pois o Governo tudo fará para impedir que os seus depósitos sejam colocados em risco". Foi uma das frases ditas há sete anos. Fernando Teixeira dos Santos, ao lado do então governador do Banco de Portugal Vítor Constâncio, anunciou a nacionalização do Banco Português de Negócios. Era 2 de Novembro de 2008. Os depósitos foram salvaguardados mas, exactamente, sete anos depois, os custos do escândalo BPN, desde a fraude à nacionalização e posterior venda, ainda são uma incógnita. Há já certezas: todos os anos, a factura com o BPN aumenta. O Tribunal de Contas é a entidade que vigia as contas da nacionalização e reprivatização da instituição financeira fundada em 1993, na sequência da fusão das sociedades Soserfin e Norcrédito, e faz essa análise anual. Aquando da nacionalização, foi indicado que o banco, enredado por estranhos financiamentos e com uma contabilidade alternativa, tinha 700 milhões de euros de dívida. O encargo final seria – e será – bastante superior. Certo é que, para a comissão parlamentar de inquérito de 2012 (já houve duas), os custos para o Estado e para os contribuintes são a parte mais significativa "da gestão ruinosa e fraudulenta" do banco em que Oliveira Costa (que depôs no Parlamento sob escolta policial). Uma gestão que ainda está em julgamento. Mas, antes da justiça, a economia.
Os custos já assumidos
"O Tribunal de Contas, desde 2008 e no âmbito do parecer sobre a Conta Geral do Estado, tem feito o levantamento dos custos orçamentais da intervenção do Estado no BPN. Para o efeito, realiza diligências junto do Ministério da Finanças e das sociedades Parups e Parvalorem", indicou ao Negócios o organismo que vigia as contas do Estado em Setembro quando questionado sobre a análise em torno deste banco que escondeu prejuízos através de "off-shores" e do Banco Insular, em Cabo Verde. As avaliações feitas pelo Tribunal de Contas, até há pouco tempo liderada por Guilherme d’Oliveira Martins (que saiu em direcção à Fundação Gulbenkian), indicavam que, no final de 2014, "o saldo acumulado das receitas e despesas orçamentais decorrentes da nacionalização e reprivatização do BPN, bem como da constituição e funcionamento das respectivas sociedades-veículo Parvalorem e Parups ascendia a -2.691,2 milhões de euros". Perto de 2,7 mil milhões de euros perdidos com o BPN no final de 2014.  
As dúvidas dos encargos futuros
Mas este não é o valor final das perdas. Embora o banco fundado por Oliveira Costa tenha já sido vendido ao BIC por 40 milhões de euros, ficaram os activos e passivos considerados problemáticos como herança da Parvalorem e a Parups (e também a Parparticipadas). O Tribunal de Contas só tem os dados de 2013 e, juntando as empresas, calcula capitais próprios negativos de 2.314 milhões de euros na Parvalorem e Parups, compensados muito parcialmente por um capital próprio positivo de 170 milhões da Parparticipadas. "Encargos a suportar eventualmente pelo Estado no futuro". E isto excluindo os empréstimo do Estado. Mas também aqui, os encargos são ainda incertos. Por exemplo, a Parparticipadas vendeu este ano o Banco Efisa à Pivot SGPS, sociedade constituída pela britânica Aethel, em conjunto com António Bernardo, da Roland Berger, e Mario Palhares, ex-vice-governador do Banco Nacional de Angola. Mas, antes disso, teve de fazer vários aumentos de capital que assegurassem que era um activo atractivo para ser adquirido. As obras de Joan Miró, nas mãos da Parvalorem e da Parups, são outro exemplo que mostra que é difícil, ainda, saber quanto custou a decisão, anunciada por Teixeira dos Santos e Vítor Constâncio, há exactamente sete anos, com a entrega da sua titularidade à Caixa Geral de Depósitos. As falhadas tentativas de venda das obras do pintor catalão – que estão em tribunal, com a Parvalorem em disputa com o Ministério Público – não permitiram ainda abater na dívida do banco ao Estado. As indefinições sobre os custos para o Estado desta operação estavam já inscritas nas conclusões da comissão parlamentar de inquérito ao processo de nacionalização, gestão e alienação do Banco Português de Negócios (2012). "Nos anos subsequentes, o Estado poderá ainda assumir, em défice orçamental, os encargos decorrentes das responsabilidades contingentes que lhe forem imputáveis".
Contingências são a palavra-chave quando se fala neste banco (que viveu muito próximo da política). Na conclusão, a comissão de inquérito indicou que os custos poderiam, no limite, "atingir 6.509 milhões de euros, mais juros e contingências, se todo o activo assumisse um valor nulo, o que, objectivamente, é impossível, na medida em que activos reais (moedas, obras de arte, imóveis) têm sempre valor superior a zero, em qualquer circunstância".
A inexistência de números concretos sobre as perdas foi um dos motivos dos argumentos da defesa da (re)solução aplicada ao Banco Espírito Santo em Agosto de 2014, através do Fundo de Resolução da banca, ainda que também, neste caso, os encargos futuros sejam ainda desconhecidos.
Sete anos depois da nacionalização, antiga dona do BPN tenta salvar-se 
"A comissão parlamentar de inquérito (CPI) sublinha o facto do Grupo SLN, ao ter adquirido o BPN, ter dado origem a um grupo económico e financeiro caracterizado pela detenção de um banco subordinado aos interesses e estratégias do Grupo, o que não corresponde à estrutura normal existente no país, em que são os bancos a dominarem empresas e sectores de actividade económica". Uma das conclusões retiradas em 2012 ainda antes da falência de um outro grupo que estava fortemente associado a um banco, o Grupo Espírito Santo. "A comissão parlamentar de inquérito (CPI) sublinha o facto do Grupo SLN, ao ter adquirido o BPN, ter dado origem a um grupo económico e financeiro caracterizado pela detenção de um banco subordinado aos interesses e estratégias do Grupo, o que não corresponde à estrutura normal existente no país, em que são os bancos a dominarem empresas e sectores de actividade económica". 
Relatório final da 2ª comissão de inquérito ao BPN, 2012
Sete anos depois da nacionalização do BPN, que Vítor Constâncio acusou ter acontecido também por conta das notícias da comunicação social (um conjunto de notícias na "alimentou a situação", pois terão "dificultado e acentuado as situações de liquidez e os problemas do BPN, tornando de certo modo inevitável este desfecho"), a SLN não existe. Existe a Galilei. E, neste momento, o seu combate é para que continue a existir com um Processo Especial de Revitalização (PER). Curiosamente, o Estado é o principal obstáculo à recuperação da Galilei, já que é a ele que o grupo, com ramificações na saúde e no turismo, mais deve. E Estado, aqui, entenda-se como Parvalorem. A dívida do grupo Galilei (em que o British Hospital é o principal activo) é de 1.668 milhões de euros, segundo a reclamação de créditos provisória divulgada em Outubro. A Parvalorem e a Parups reclamam mais de 1.300 milhões de euros, ou seja, 80% do total. O grupo quis excluir a sua jóia – o British Hospital e a área de Imagiologia – do Processo Especial de Revitalização, mas a Parvalorem avisou que não o iria permitir. É um processo em curso e do qual sairão efeitos para os contribuintes. Positivos ou negativos.
O campo judicial
A complexidade do cálculo dos custos da nacionalização do Banco Português de Negócios, determinada em 2008 quando já estava na sua liderança Miguel Cadilhe (que criticou a opção do governador e do Executivo) é idêntica à dificuldade das resoluções judiciais em torno da "fraude" no banco. Em Outubro, recomeçou o principal julgamento sobre o banco, através do qual o Ministério Público acusou 24 arguidos, tendo sido posteriormente pronunciados 16 pelo Tribunal Central de Instrução Criminal, segundo o Observador. O julgamento iniciou-se em Dezembro de 2010, estando ainda a acontecer. Segundo deu conta a publicação, a justificação para o atraso pode passar pelo facto de, além dos 16 arguidos, estarem arroladas mais de 150 testemunhas. Uma delas, contou o jornal, foi ouvida durante meses. Este é o principal caso. Mas há mais. Só que a sua aceleração tem obstáculos. E o BES é um deles. Em Abril, o Departamento Central de Investigação e Acção Central disse-o claramente quando, a avaliar o ano de 2014, disse que não conseguiu cumprir um dos seus objectivos, que era emitir os despachos finais em processos como o BPN. A complexidade de investigações ao Universo Espírito Santo foi uma das justificações avançadas.  Ainda que o caso BPN tenha permitido críticas à supervisão ("Houve grave e demorada falha de supervisão durante anos", disse Miguel Cadilhe sobre o governador Vítor Constâncio), no Banco de Portugal e na Comissão do Mercado de Valores Mobiliários também houve processos. Aliás, em Maio deste ano, o regulador do mercado de capitais, presidido por Carlos Tavares, aplicou uma coima única de 100 mil euros a José Oliveira Costa (e a mais ex-gestores do banco) por infracções cometidas entre 1999 e 2008 nomeadamente por gestão de carteiras sem autorização ou violação do dever de prestação de informação devida aos clientes. Mas o BPN é ainda uma história por contar. Por calcular. Por julgar.
Os números 
O BPN foi nacionalizado em 2008. Tinha, então, 700 milhões de euros de dívida. Em 2011, foi vendido ao BIC por 40 milhões. Até 2014, a nacionalização do banco já tinha custado 2,7 mil milhões. Mas as sociedades com activos tóxicos tinham mais 2,3 mil milhões de euros de capitais próprios negativos - custos que deverão ficar para o Estado. No Parlamento, a estimativa era a de que as perdas, no limite, poderiam ascender a 6,5 mil milhões de euros (texto do jornalista do Jornal de Negócios, Diogo Cavaleiro)

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Pagamento de despesas domésticas através do banco continua a aumentar

Os dados do estudo Basef Banca da Marktest mostram que o pagamento de despesas domésticas através do banco continua a aumentar entre nós.
Entre Janeiro e Setembro de 2015, o estudo Basef Banca da Marktest contabilizou 4 382 mil indivíduos que utilizam os bancos para pagamento de despesas domésticas (água, gás, electricidade, etc), correspondendo a 59.2% do universo composto pelos residentes no Continente com 15 e mais anos que possuem conta bancária e que identificam o(s) banco(s) onde possuem conta.
A penetração deste tipo de serviço bancário, que é o mais utlizado pelos bancarizados, continua a registar crescimento no mercado português.
Na análise do perfil dos possuidores deste serviço bancário, a ocupação e a idade são as variáveis que mostram maior oscilação dos valores.
A maior penetração de pagamento de despesas domésticas encontra-se junto dos quadros médios e superiores, assim como dos indivíduos das classes mais elevadas, ao contrário dos estudantes e indivíduos mais jovens, os mais afastados deste serviço.
Esta análise foi realizada com base nos resultados do estudo Basef Banca da Marktest, um estudo regular da Marktest, lançado em 1989 e que tem por objectivo apoiar o marketing dos Bancos, fornecendo informação sobre os comportamentos, atitudes e opiniões dos consumidores efectivos e potenciais dos serviços financeiros destinados aos particulares. Estuda o universo constituído pelos indivíduos com idade igual ou superior a 15 anos, residentes em Portugal Continental (marktest.com, Outubro de 2015)

terça-feira, 20 de outubro de 2015

Banca em recuperação

Bancos portugueses estão em linha com os bancos de países como a Letónia e a Geórgia. Na zona euro, só a Grécia e a Chipre têm uma média inferior a Portugal (Económico)

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Escolha a conta bancária à sua medida

A oferta para ter conta bancária é cada vez mais vasta, mas os custos associados também podem divergir. A adaptação aos hábitos de cada cliente é a melhor forma de poupar.

Caixa Geral de Depósitos pagou 4 milhões a Scolari

A Caixa Geral de Depósitos pagou quatro milhões de euros líquidos pela utilização dos direitos de imagem de Luiz Felipe Scolari entre 1 de setembro de 2006 e 31 de agosto de 2008, quando o treinador brasileiro era selecionador nacional de futebol. Armando Vara, então administrador da CGD com o pelouro da comunicação, negociou o contrato com Scolari e assinou também esse documento.