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sexta-feira, 8 de maio de 2015

Como é que as sondagens no Reino Unido puderam estar tão erradas?

"Quando os resultados das sondagens à boca das urnas foram divulgados na noite de quinta-feira, tornou-se imediatamente evidente que as sondagens pré-eleitorais tinham errado significativamente. Aquelas que deveriam ter sido das eleições mais renhidas na história do Reino Unido tornaram-se uma vitória retumbante do Partido Conservador, que atingiu a maioria no Parlamento de Westminster. Na quinta-feira, a previsão do diário britânico The Guardian, que fez a média de todas as sondagens, apontava para os conservadores terem 276 deputados, contra 269 dos trabalhistas. Na realidade, com os votos todos contados, o partido de David Cameron ganhou 331 deputados. O Partido Trabalhista apenas 232. Todas sondagens sobrestimaram o voto nos trabalhistas e liberais e fizeram o contrário com os conservadores.  Não sabe ao certo quais foram os erros que levaram às previsões falhadas destas eleições. Os motivos são de tal forma desconhecidos que, ao início da tarde desta sexta-feira, o Conselho de Sondagens Britânico anunciou que seria lançado um inquérito para se chegar às causas dos erros. Mas erros, a havê-los, podem não ter acontecido apenas nestas eleições britânicas. Ao longo dos últimos anos têm-se multiplicado os casos de sondagens pré-eleitorais que falharam o alvo. Aconteceu mais recentemente com as eleições legislativas em Israel, em que as sondagens projectavam um empate técnico entre o Likud de Netanyahu e o União Sionista, de Isaac Herzog. No final de contas, o primeiro-ministro israelita selou uma vitória clara: em vez do antecipado empate de 27 lugares no Parlamento, Netanyahu conseguiu 30 assentos e o União Sionista apenas 24.
Mas os casos não se ficam por aqui. As sondagens erraram também na antecipação do referendo pela independência na Escócia – aqui, em todo o caso, caminhava-se por terreno desconhecido – e, antes, nas últimas eleições intercalares norte-americanas e nas próprias presidenciais nos Estados Unidos em 2012.
O proclamado guru norte-americano das estatísticas, Nate Silver, diz que pode haver um problema no próprio sistema mundial de sondagens, particularmente no que toca à identificação dos grupos representativos. No seu site especializado em sondagens, o FiveThrityEight, Nate Silver explica uma das razões pelas quais as sondagens – e ele próprio – erraram nestas eleições. “As sondagens, no Reino Unido e em outros sítios do mundo, parecem estar a ficar piores à medida que se torna mais complicado contactar uma amostra representativa de eleitores”, escreve Silver. Por enquanto, diz o especialista, a solução deve passar por “contabilizar uma maior margem de erro”. Mas o sistema eleitoral britânico teve também um papel importante no falhanço das eleições. Com apenas mais 0,5 pontos percentuais do voto total, o Partido Conservador conseguiu mais 26 assentos no Parlamento do que em 2010. E o Partido Trabalhista, que aumentou o voto total em 1,5 pontos, perdeu 25 deputados. Stephen Fisher lançou as sondagens que mais próximas ficaram dos resultados conhecidos nesta sexta-feira. A última sondagem de Fisher dizia que os conservadores conseguiriam 285 deputados, contra 262 dos trabalhistas. Em todo o caso, muito afastadas dos resultados finais.  Fisher diz que a surpresa desta sexta-feira se deve, em parte, ao regime de proporcionalidade eleitoral no Reino Unido, um argumento que é também utilizado por Nate Silver. Ou, mais especificamente, "com o colapso dos trabalhistas na Escócia, inadequadamente compensado com ganhos modestos em Inglaterra e País de Gales”. No campo contrário, diz Fisher, e numa escala menor, “os conservadores beneficiaram desproporcionalmente, em assentos [no Parlamento], mesmo que não em votos, com o colapso dos Liberais Democratas” (texto do jornalista do Público, Félix Ribeiro, com a devida vénia)

Reino Unido: Mhairi é a deputada mais nova dos últimos 348 anos

Desde o século XVII, ano de 1667, que o Reino Unido não elegia uma deputada tão jovem. A culpa é da universitária Mhairi Black que, aos 20 anos, se candidatou pelo Partido Nacionalista Escocês (SNP) e ganhou o distrito de Paisley e Renfrewshire South. Feito número dois da escocesa: terminou com um domínio de 95 anos dos trabalhistas na localidade, ao derrotar Douglas Alexander, o experiente chefe da campanha eleitoral do Partido Trabalhista. "O povo da Escócia falou e é tempo da voz deles ser ouvida em Westminster. Obrigada a todos os que votaram em mim", escreveu a jovem no Twitter, uma rede social que utiliza desde os 14 anos e onde chegou a deixar mensagens de ódio contra o Celtic Football Club. Nem essa "jogada" de risco tirou popularidade à jovem. Mhairi Black é uma apaixonada por futebol e por música e desde muito jovem que se tornou politicamente activa, tendo participado numa marcha contra a guerra no Iraque — que começou quando ela tinha apenas nove anos. A vitória desta quinta-feira significa uma reviravolta na vida da escocesa, mas, antes de assumir funções, Mhairi vai ainda terminar, até ao fim do mês, o curso de Política e Políticas Públicas na Universidade de Glasgow. Com 23.548 votos, Black derrubou Douglas Alexander, com apenas 17.864. Pela primeira vez na História do Reino Unido, um partido nacional transforma-se na terceira força política da união. Numas eleições de onde a esquerda sai surpreendentemente derrotada, David Cameron tem maioria. Mas o novo Governo de Londres tem nas mãos um Reino Unido frágil e fracturado (Publico)

As capas dos jornais britânicos depois das eleições

No rescaldo do ato eleitoral mais importante do Reino Unido, as primeiras páginas dos jornais são o espelho do falhanço das previsões e mostram uma comunicação social que não tem problemas em declarar apoio explícito a partidos (Dinheiro Vivo)

Que jornais apoiam quem nas eleições do Reino Unido?

A tradição no Reino Unido dita que as publicações noticiosas, jornais e revistas, anunciem antes das eleições o apoio a uma candidatura. Este ano, o Partido Conservador reúne o maior número de apoios, embora haja muitos jornais que defendam os conservadores no poder coligados com os liberais-democratas. Já o Partido Trabalhista está em minoria, mas continua a contar com o tradicional apoio do The Guardian, que escolheu Ed Miliband para liderar o país. O UKIP também recebeu um apoio, o do Express, que defende que a Grã-Bretanha se tem de libertar da União Europeia. Dos grandes jornais, apenas um decidiu não dar indicação de voto. O The Independent on Sunday, afirmando que o fez para se manter fiel ao nome do próprio jornal.
“Os eleitores devem escolher não só um partido, mas a combinação que terá a melhor hipótese de formar um Governo estável e pronto e implementar reformas. O país irá beneficiar do contrabalanço e da moderação dos liberais-democratas em Westminster. […] Só há um líder e um partido que podem liderar o Governo. Há riscos em reeleger o partido de David Cameron, especialmente no que diz respeito à Europa. Mas os riscos de não o fazer são maiores. Os seus instintos em relação à economia, ao setor empresarial e às reformas dos serviços públicos são certos. Miliband não oferece um programa económico credível e irá pôr um travão ao investimento”.
The Economist: Coligação liderada pelos conservadores
“A 7 de Maio os eleitores devem avaliar a certeza de um desastre económico se os Trabalhistas ganharem por comparação com a possibilidade de uma dispendiosa saída da União Europeia se a vitória for dos Conservadores. Com os trabalhistas, a provável parceria com o SNP aumenta ainda mais esse risco. Para os Conservadores, uma coligação com os liberais-democratas diminuirá essa possibilidade. Com base nesta avaliação, a melhor esperança para o Reino Unido é a continuação de uma uma coligação liderada pelos conservadores. É por isso que o nosso voto vai para David Cameron”.
    The Guardian e Observer: Trabalhistas
As duas publicações são irmãs, com o Guardian como jornal diário e o Observer como semanário. Ambos concordaram apoiar os trabalhistas.
Guardian: “Este jornal nunca foi um entusiasta em relação ao Partido Trabalhista. E também não somos agora. Mas a nossa visão é clara. Os trabalhistas são a melhor esperança e alternativa para enfrentar os tempos turbulentos que se avizinham”
Observer: “O Partido Trabalhista não tem todas as resposta. Longe disso. Mas é o único partido que identificou corretamente os desafios para a nossa sociedade. Por essa razão, merece formar o nosso próximo Governo”.
    The Daily Mail e Mail on Sunday: Conservadores
O Daily Mail apoiou os conservadores, mas pediu aos seus leitores que votassem UKIP onde este partido pudesse tirar lugares aos trabalhistas. A edição de domingo, o Mail on Sunday, também apoiou os conservadores.
The Daily Mail: “Aos eleitores do UKIP, fazemos um apelo especial. Ninguém percebe melhor do que o Mail as vossas frustrações com a União Europeia e o falhanço da coligação em manter as promessas de baixar a imigração para níveis aceitáveis. Mas a verdade brutal, é que só David Cameron pode realizar o referendo que nos oferece a esperança de retomarmos o controlo das nossas fronteiras”. Mail on Sunday: “Os eleitores têm uma alternativa clara: virarem-se para Cameron para a prosperidade, a segurança e a unidade ou fazer uma curva acentuada à esquerda para a desordem. The Mail on Sunday exorta os seus leitores a fazer a escolha certa – para o bem de todos nós”
The Economist: Coligação conservadores-liberais
“A nossa decisão foi baseada na economia, onde a coligação entre conservadores e liberais [atualmente no poder] tem um historial mais forte do que muitos se apercebem e onde o Partido Trabalhista apresenta maiores riscos"
The Daily Telegraph: Conservadores
“A última vez que os eleitores britânicos se depararam com a escolha entre um Partido Conservador favorável à economia e um Partido Trabalhista que odeia a riqueza foi em 1992, quando o comportamento heróico de John Major deu o resultado certo ao Reino Unido. Esperamos que David Cameron tenha essa coragem e siga esse exemplo. O impasse deve ser rompido”
The Express: UKIP
“Vote UKIP para atacar o coração do Partido Trabalhista. Em nenhum outro lado os votos foram tidos como certos sem qualquer retorno. O apoio aos trabalhistas tem sido dado de forma irrefletida de uma geração para a outra e eles acreditam que o seu voto é um direito adquirido. Mas não é e está na altura de esmagar os bastiões trabalhistas”
The Independent: Coligação conservadores-liberais
“Qualquer parceria entre o Partido Trabalhista e o SNP vai prejudicar a frágil democracia britânica. Apesar de todas as suas falhas, outra coligação entre conservadores e liberais vai prolongar a recuperação económica e dar uma oportunidade melhor ao nosso reino de continuar a sobreviver”
The Sun e The Sun (edição escocesa): Conservadores e SNP, respetivamente
“A redação do jornal ficou partida entre a edição inglesa e a edição escocesa. O Sun inglês apoia os conservadores, já o Sun escocês apoia o SNP, Partido Nacional Escocês.
The Sun: “[Os conservadores] São de longe a melhor aposta para haver prosperidade e dar felicidade às pessoas normais que leem o The Sun. É simples”. The Sun (edição escocesa): “Só o SNP pede a autonomia que vai permitir aos escoceses oportunidades e liberdades iguais. Só num Reino Unido com uma nova forma é que o país pode atingir todo o seu potencial. Ao contrário dos trabalhistas. Eles deixaram-nos ficar mal"
Evening Standart: Conservadores
“A preocupação deste jornal nestas eleições é o futuro de Londres: o bem-estar dos seus habitantes e o vigor da sua economia. Não se trata de uma visão partidária estreita; é nossa convicção que aquilo que beneficia a capital, beneficia o resto do país. O londrinos devem pois considerar as necessidades da capital quando foram votar – esta é uma eleição londrina. Esta é uma cidade diferente com muitas variantes de opinião política. Respeitamos essa multiplicidade de pontos de vista. Contudo, para este jornal, são os Conservadores e um governo dirigido por David Cameron que servirão melhor os interesses da capital”
Daily Mirror: Trabalhistas
“O abismo entre a visão dos trabalhistas e dos conservadores permanece tão grande como sempre. Esse abismo vai crescer se Cameron continuar a governar. Se eles tiverem uma oportunidade, vão continuar a bater em si, na sua família e na sua comunidade, até à submissão. Não lhes de essa oportunidade. Dê-lhes o que o seu desempenho e a sua selvajaria merecem: carrinhas de mudança à porta de Downing Street” (Observador)

É a razia: Miliband, Nick Clegg e Farage e abandonam lideranças

A vitória esmagadora do Partido Conservador nas últimas legislativas está a provocar uma onda de mudança nas lideranças dos partidos da oposição. A vitória de Cameron, há minutos apenas a um deputado da maioria absoluta, levou Ed Milliband a anunciar a sua saída do Partido Trabalhista. O partido obteve 230 deputados, confirmando-se como o segundo maior partido no Reino Unido. Mas o líder Trabalhista não foi o único a apresentar demissão depois da onda conservadora que varreu o Reino Unido. Nick Clegg, líder dos liberais democratas parceiros de governo dos Conservadores, já se demitiu depois dos fracos resultados obtidos pelo partido que, até ao momento, conseguiu apenas eleger 8 deputados para a Câmara dos Comuns. Nigel Farage, líder do Partido para a Independência do Reino Unido (UKIP), também já anunciou a demissão, depois de falhar a terceira tentativa para entrar no parlamento britânico. Farage, 51 anos, que perdeu a eleição em South Thanet, no condado de Kent (sudeste), disse no entanto que vai refletir sobre a possibilidade de se apresentar em setembro como candidato à liderança do partido eurocético. O partido conseguiu apenas eleger um deputado, o ex-Conservador Douglas Carswell (Dinheiro Vivo)

Reino Unido: David Cameron conquista maioria absoluta

É oficial. David Cameron conquistou a maioria absoluta nas legislativas no Reino Unido, provocando uma razia nas lideranças dos partidos da oposição. Contrariando todas as projeções, o Partido Conservador conseguiu os 326 deputados necessários para liderar sozinho o governo britânico. Pesada derrota para os Trabalhistas que conquistaram 230 deputados e que já levou à demissão de Ed Milliband. A mesma onda de demissões varreu o partido dos Liberais Democratas, com o líder Nick Clegg a sair depois de eleger apenas 8 deputados, e Nigel Farage, líder do Partido para a Independência do Reino Unido (UKIP), também a anunciou a demissão. Partido elegeu apenas um deputado. Depois dos Conservadores, o maior vencedor nestas legislativas foram os nacionalistas escoceses do SNP que obtiveram um resultado histórico: 56 deputados dos 59 que a Escócia elege. São a terceira força partidária no Reino Unido (Dinheiro Vivo)