"Os ‘tories’ de David Cameron conseguiram a maioria absoluta no Reino Unido. A vitória foi tão inesperada que Cameron a considerou “a mais doce de todas”. Um sentimento natural, tendo em conta que ontem, dia em que os britânicos foram às urnas, todas as sondagens davam empate técnico entre os conservadores e os trabalhistas de Ed Miliband – que já anunciou, entretanto, que se vai demitir. A vitória tão folgada deixou o Reino Unido confuso e todos se questionam como foi possível as sondagens errarem de forma tão flagrante. Todos menos um. Lynton Keith Crosby, o homem que não só não foi surpreendido pelo resultado, como há muito defendia que era o desfecho mais natural. Keith Crosby é um estratega político que nasceu na Austrália em 1957, poucos anos depois de o outro Crosby, Bing, cantar ao mundo aquele que viria a ser um dos seus maiores êxitos. Mas se Bing ficou conhecido pelos tons mais claros de “White Christmas”, Keith, pelo contrário, viria a ganhar uma alcunha mais ‘dark’. No seu país, é conhecido como o “mestre das artes mais obscuras da política”, “o Feiticeiro de Oz”, ou “o Karl Rove australiano”. É umas das figuras mais poderosas e influentes das Antípodas. E é, desde há largos meses, o guru eleitoral dos ‘tories’ de Cameron. Em Março, a revista The Economist contava que, desde meados do ano passado, quando os conservadores começaram a reduzir de forma mais vincada a desvantagem para os trabalhistas, que Crosby vinha dizendo às tropas ‘tories’ para se prepararem para uma vitória contundente. Cameron era o líder britânico mais popular e governava uma economia em rápido crescimento e com inflação zero. A extrema-direita do Ukip, que chegara a ameaçar os ‘tories’, estava a cair a pique nas sondagens, enquanto os independentistas escoceses continuavam a roubar votos aos trabalhistas. Além disso, frisava Crosby, quando os indecisos chegassem às urnas, iriam perceber que preferiam a certeza do ‘status quo’. A maioria dos conservadores não acreditou, porque a descolagem dos trabalhistas, que primeiro se esperava em Outubro, depois em Janeiro e depois no início de Março, tardava em concretizar-se. Mas Crosby manteve-se confiante e foi sempre lembrando que, tipicamente, os partidos no poder ganham um impulso extra quando se aproximam do fim do mandato e o dia das eleições. Hoje, mergulhado na euforia de quem impôs aos trabalhistas a pior derrota desde 1987, Cameron agradece-lhe e dá-lhe razão" (fonte: Económico)
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